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Pastoral das Comunicações
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Publicação Mensal - Ano 11 - Número 152 - Julho de 2008
O Caminho de um Peregrino

Santo Inácio de Loyola
Santo
Inácio de Loyola ou Loiola foi o fundador da Companhia de Jesus, conhecida como
os Jesuítas, uma ordem religiosa católica romana estabelecida com o fim de
fortalecer a igreja, inicialmente contra o Protestantismo.
Nascido na Espanha, possivelmente a
24 de dezembro de 1491, recebeu o nome de Íñigo López. Inácio foi o mais novo de
treze irmãos e irmãs. Seu pai faleceu quando tinha apenas sete anos de idade. Em
1506, tornou-se pajem de um familiar, Juan Velázquez de Cuellar, tesoureiro
(contador maior) do reino de Castela. Como cortesão, levou vida leviana. Em
1517, Inácio tornou-se militar. Gravemente ferido na batalha de Pamplona em 20
de maio de 1521, passou meses inválido, com a perna quebrada, no castelo de seu
pai.
Deste mal, Deus tirou o bem da sua
conversão, já que depois de ler a Vida de Jesus e alguns livros da vida dos
Santos concluiu: “São Francisco fez isto, pois eu tenho de fazer o mesmo. São
Domingos aquilo, pois eu tenho também de o fazer”.
Realmente Santo Inácio de Loyola,
como os santos, fez e levou muitos a fazerem “tudo para a maior glória de
Deus”, pois pendurou sua espada, seu equipamento militar perante uma imagem
de Nossa Senhora, no Santuário de Montserrat, entregou-se à vida de eremita,
onde viveu seus “famosos” Exercícios Espirituais.
Aos 23 anos foi para Salamanca, para
estudar na famosa universidade do mesmo nome e, mais tarde, completa seus
estudos de filosofia e teologia na universidade Sorbonne de Paris. Entrou em
contato com as correntes críticas e hostis à doutrina da Igreja: erasmismo,
iluminismo, protestantismo. Todos queriam a reforma da Igreja. Inácio sempre se
mostrou contrário a estas correntes e, fiel à igreja de Roma, passou a trabalhar
decididamente mais pela “Renovação” do que pela “Reforma” da
Igreja. Durante este período na capital francesa, conseguiu conquistar para a
causa da fé, companheiros da universidade, entre os quais Francisco Xavier,
futuramente o apóstolo da Índia e do Japão, declarado padroeiro das missões.
Ficou lá sete anos e estendeu sua educação literária e teológica, tentando
cativar o interesse dos estudantes para os seus Exercícios Espirituais. Em 1534
tinha seis seguidores: Pedro Faber, Francisco Xavier (já citado), Alfonso
Salmeron, Jacó Laines e Nicolau Bobedilla, todos espanhóis, e Simão Rodrigues,
era português. Em 15 de agosto de 1534 ele e os seis fundaram a Companhia de
Jesus na Igreja de Santa Maria, em Montmartre, “para efetuar trabalho
missionário e de apoio hospitalar em Jerusalém, ou para ir aonde o papa quiser,
sem questionar”. Colocam-se à disposição do Papa como um exército pronto
para a defesa da fé, a renovação da Igreja e da obra missionária. A
recém-fundada Companhia de Jesus, além dos votos de Pobreza, Castidade e
Obediência, tinha como particularidade uma total obediência ao Papa (o quarto
voto), pois, na ocasião, Lutero tinha iniciado sua Reforma e os jesuítas
procuravam combater o cisma com entusiasmo de milícia avançada.
A Companhia de Jesus, Instituição de
Inácio, era do tipo novo e original, além de providencial para os tempos da
Contra-Reforma, o santo esclarece: “O fim desta Companhia não é somente
ocupar-se, com a graça divina, da salvação e perfeição das próprias almas, mas,
com a mesma graça, esforçar-se intensamente por ajudar a salvação e perfeição
das do próximo”.
Eles viajaram até a Itália, em 1537,
para procurar a aprovação papal da sua ordem. O papa Paulo III concedeu-lhes uma
recomendação e permitiu que fossem ordenados padres. Foram ordenado em Veneza
pelo bispo de Arbe, em 24 de junho.
Devotaram-se inicialmente a pregar e
em obras de caridade na Itália. Na companhia de Faber e Lainez, Inácio viajou
até Roma em outubro de 1538, para pedir ao papa a aprovação da nova ordem. A
congregação de cardinais, deu um parecer positivo à constituição apresentada, e
em 27 de setembro de 1540, o Papa Paulo III confirmou a ordem através da Bula
“Regimini militantis Ecclesiae”, que integra a “Fórmula do Instituto”
onde está contida a legislação substancial da nova Ordem. O número dos seus
membros foi no entanto limitado a 60. Esta limitação foi porém posteriormente
abolida pela bula Injunctum Nobis de 14 de março de 1543.
Inácio foi escolhido como o primeiro
Superior Geral. Enviou os seus companheiros como missionários para criarem
escolas e seminários por toda a Europa. Muitos eram jovens como o Santo José de
Anchieta, Apóstolo do Brasil. Outros não tão jovens, como Padre Manoel da
Nóbrega, que já era pregador e sacerdote, quando foi para a Companhia. Ele
chefiou o primeiro grupo de missionários à América, ao Novo Mundo, precisamente
ao Brasil. Eles foram responsáveis pela fundação de estradas, hospitais e
Colégios em São Paulo. Já na Bahia, através das ervas iniciaram um trabalho
farmacêutico, que depois se transformou na escola de Medicina da Bahia.
Em 1538 foram impressos os Exercícios
Espirituais , objeto de inspeção pela Inquisição romana, tendo sido no entanto
autorizados.
Inácio escreveu as Constituições
Jesuítas, adaptadas em 1554, que criaram uma organização hierarquicamente
rígida, enfatizando a absoluta auto-abnegação e a obediência ao Papa e aos
superiores hierárquicos. Seu grande princípio tornou-se o lema dos jesuítas: Ad
Majorem Dei Gloriam (pela maior glória de Deus).
Os jesuítas foram um grande fator do
sucesso da Contra-Reforma. Com Deus Santo Inácio de Loyola, que “tinha uma
alma maior que o mundo conseguiu”, como disse Papa Gregório XV,
“conseguiu testemunhar sua paixão convertida, pois sua ambição única tornou-se a
aventura do Salvar Almas e o seu amor a Jesus”.
Inácio morreu em Roma, com 65 anos e foi canonizado a 12 de março de 1622 pelo
Papa Gregório XV. Festeja-se o seu dia em 31 de julho.
Susan Deise de Oliveira Feliciano