11º Domingo do Tempo Comum

Estamos retomando em nossa Liturgia o que chamamos de Tempo Comum, que nos leva a caminhar com Jesus em sua vida pública. O primeiro ciclo foi interrompido com a Quaresma e, após Pentecostes, iniciamos o segundo, até a festa de Cristo Rei. Nesse ano estamos acompanhando o Evangelho de Mateus, que tem como objetivo apresentar Jesus e sua prática como critérios e luz para as comunidades. Ele é o Messias que realiza as promessas do Antigo Testamento, o Emanuel, o Deus conosco, o mestre que veio realizar a justiça que faz nascer o Reino (Mt 1,23; 3,15).

A passagem do Evangelho neste 11º domingo trata da missão dos doze discípulos (Mt 9,36-10,8). Indicações importantes na cena:

A missão brota de um sentimento de Jesus: a compaixão. Ele é o Bom Pastor que se compadece do rebanho. Olha com ternura de coração e se preocupa com a situação. É preciso fazer alguma coisa.

A missão procura responder a uma necessidade: a messe é grande e os trabalhadores são poucos. Jesus conta com a colaboração dos discípulos.

É o Espírito possibilita a ação missionária. A missão é dom de Deus.

Jesus chamou e constituiu os Doze. O número recorda as doze tribos de Israel. Todos são convocados e chamados a servir.

Conteúdo da missão: libertar as pessoas dos espíritos impuros, curar as doenças e enfermidades; ressuscitar os mortos e purificar os leprosos.

Campo da missão: “as ovelhas perdidas da casa de Israel”. São os primeiros destinatários. É a primeira etapa da evangelização. Essas ovelhas perdidas, que se encontram à margem, precisam ser congregadas.

Característica da missão: a gratuidade. Os missionários devem ser desapegados. Não há privilégios, poder, sucesso ou fama, mas serviço gratuito. A sobriedade caracteriza o discípulo missionário a caminho.

Rezamos pelo trabalho missionário da Igreja, inspirados nessas recomendações de Jesus. Podemos destacar alguns aspectos.

1 - A iniciativa do chamado é de Jesus. O Espírito é a alma da missão. Não somos donos da messe, mas Deus. A nossa missão é responder com fé, confiança, generosidade, abertura e espírito de serviço. Ser discípulo missionário é graça de Deus. O único válido é fazer o que Ele quer e quando Ele quer, isto é, fazer a sua vontade. Fidelidade a Jesus.

2 - A intimidade com Jesus é o alimento para a missão: o apostolado requer oração e contemplação. Os discípulos são convocados para uma tarefa, que exige a santidade, onde a confiança é maior que as deficiências. É a comunhão com o Senhor que produz a santidade e o apostolado. Deus nos chamou a uma vocação porque nos ama e confia em nós. A prova “de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). A certeza desse amor é o motor que nos impulsiona na missão.

3 - A missão brota de uma realidade de necessidade: daí a compaixão, a misericórdia, a caridade pastoral como atitudes fundamentais, inspiradas em Jesus, o “supremo pastor” (1 Pd 5,4). Ninguém pode ser excluído da caridade pastoral, mas há setores que necessitam de cuidados especiais, como os mais pobres, as famílias, as crianças, os jovens, os idosos. O Documento de Aparecida fala de rostos sofredores que devem “doer em nós”: pessoas que vivem na rua, migrantes, enfermos, dependentes de drogas, detidos em prisões (DAp, 407-430).

4 – Importância do testemunho de vida, que fala mais que as palavras. É a santidade de vida que dá consistência e autoridade à missão.

5 - Os missionários são portadores da Boa Nova do Reino, da verdade e justiça de Jesus. Continuam a sua missão. Anunciar o Reino é comunicar Deus, a salvação, a justiça, a paz, a alegria, a liberdade e a vida.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.