18º Domingo Comum

Paulo tratou de vários temas na carta que escreveu à comunidade cristã de Roma, um deles, o central, é a gratuidade da salvação pela fé: Deus nos salva por meio de Jesus Cristo, manifestação suprema do seu amor. Da nossa parte, basta acreditar e nos deixar guiar pelo Espírito que gera em nós uma vida nova. O mandamento do amor é uma das chaves de leitura da carta.  No seu início, dirigindo-se aos fiéis de Roma, o apóstolo diz que eles são “amados por Deus” (1,7), Ele toma a iniciativa em nos amar. No capítulo 5 diz que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (5,5). Na passagem da liturgia da Palavra deste domingo, Paulo diz categoricamente, que nada “será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (8,39). No final da carta, o amor sincero (12,9) é apresentado como o cumprimento pleno da Lei, nossa única dívida (13,8).

Essa é a revolução que Jesus veio trazer e revelar, que transforma a vida radicalmente e muda o coração: o mandamento do amor. Ele nos amou a tal ponto de morrer na cruz. Por isso, o amor é a maior força de mudança da realidade, que derruba os muros do egoísmo e preenche os fossos que nos mantém distantes uns dos outros.

Deus nos ama incondicionalmente, com um amor gratuito. Porque Ele é bom, somos preciosos aos seus olhos. O amor de Deus por nós é a coisa mais bela que temos e podemos oferecer. Em Deus que é amor encontramos a verdade da nossa vida, que ilumina e torna inteligível o nosso ser e o nosso caminho. É do seu amor que vivemos e é para esse amor que vivemos.

Mateus 14,13-21 narra a partilha do pão. A cena aconteceu num lugar “deserto e afastado”. A partir do deserto, Jesus inaugurou a nova sociedade, dando vida, ensinando a servir e a partilhar. Ele se compadeceu da multidão, curou os que estavam doentes e ordenou aos discípulos que dessem de comer ao povo. Os discípulos distribuíram os pães abençoados. “Todos comeram e ficaram satisfeitos” (Mt 14,20).

“Vinde a mim, ouvi e tereis vida” (Is 55,3). A partilha só acontecerá quando procurarmos o Senhor acima de tudo e formos fiéis a sua Palavra. Não somos nada sem Deus, pois só Ele é suficiente e o sentido profundo da nossa vida.

“O encontro com Cristo, graças à ação invisível do Espírito Santo, realiza-se na fé recebida e vivida na Igreja”, “na Sagrada Escritura”, “na Sagrada Liturgia”, de modo privilegiado na Eucaristia, na “oração pessoal e comunitária”, “no amor fraterno”, “nos pobres, aflito e enfermos”, na piedade popular – Maria e os santos (DAp, 246-275).

Na Eucaristia celebramos o mistério pascal, a paixão, morte e ressurreição de Cristo por nós. Ele oferece seu Corpo e Sangue para remissão dos nossos pecados, expressão do ato amoroso e reconciliador de Deus por nós.

O Encontro com o Senhor na Eucaristia provoca conversão, discipulado, comunhão e missão. É a amizade e a comunhão com Deus que nos levam aos irmãos. Estar com Ele é estar com o próximo. O amor é verdadeiro quando gera silêncio contemplativo e serviço apostólico.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.