2° Domingo da Quaresma

O 2° Domingo da Quaresma narra um dos momentos mais importantes no ministério de Jesus, presenciado por Pedro, Tiago e João, que é a transfiguração (Mt 17, 1-9). É uma cena de revelação da sua pessoa e da sua glória: ele é Filho amado do Pai, o revelador do Reino. Nele, as promessas se cumprem: a Lei, simbolizada em Moisés, e o profetismo, em Elias.

Jesus revela o reino amando, perdoando e servindo. Ele nos salva oferecendo a sua vida. O seu amor pela humanidade culmina na cruz. Ele é exaltado por essa obediência pelo Pai. O seu projeto é vitorioso. A transfiguração é sinal da sua ressurreição.

Abrão recebeu a promessa de Deus de descendência, benção e terra (Gn 12, 1-4a). Aceitou uma vocação que marcou a origem do povo de Deus. O caminho se faz pela fé, superando desafios e conforto, acolhendo o desconhecido, os horizontes e o projeto do Senhor.

Paulo está preso e se prepara para o martírio. Escreveu uma carta a Timóteo, transmitindo-lhe coragem e confiança em Deus (2Tm 1,8-10). Paulo é um homem de fé inabalável, confia no poder de Deus e na graça revelada em Jesus Cristo.

Somos também chamados por Deus a um incumbência> A nossa vocação tem a marca da fé, da confiança, do destemor, do serviço e da obediência à Palavra. Jesus é vencedor de todos os males. Ele é o nosso sustento, o seu amor é o sentido da nossa existência e da nossa resposta.

Temos muitas resistências interiores que nos privam da liberdade e nos impedem de dar uma resposta livre, corajosa e consciente. Temos medo. Como tirar lições dessa fragilidade humana? Aprendendo a me reconciliar com ela e a reconhecer que por minhas capacidades não poderei dar nenhuma resposta ao Senhor. É Ele quem me conduz com a sua misericórdia. “Minha força e meu canto é o Senhor, ele se tornou minha salvação” (Ex 15,2).

Hoje ouvimos muitas vozes e sons, que podem nos confundir e desviar da estrada certa. A cena da transfiguração nos transmite um apelo maior e seguro: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o...Levantai-vos e não tenhais medo” (Mt 17, 5.7). A nossa vocação é estar atentos à voz do Senhor. Ele nos quer em ação, no seu caminho, sem medo. Ao ouvir as palavras do Pai e de Jesus, tomamos consciência que a nossa salvação está em mãos seguras. Deus é a nossa melhor companhia.

Às vezes, como Pedro, achamos que o alto da montanha é o melhor lugar. Mas Jesus nos quer na planície do dia a dia, da nossa vida, da nossa história. Ali a resposta é mais exigente, implica dificuldades, renuncias e desafios, mas o que Ele exige não supera as possibilidades do ser humano. Com Ele, podemos descer da montanha e seguir o seu e o nosso caminho. Quando o nosso coração está em Deus, perde o medo, pois se apega a uma força maior. Quem confia em Deus cultiva o entusiasmo, como dom do Espírito. Tem a certeza de sua presença que cura da insegurança e impulsiona para a ação.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.