2º Domingo do Tempo Comum - Ano B

Estamos vivendo em nossa liturgia o que chamamos de Tempo Comum: tempo ordinário celebrado durante o ano, que nos leva a caminhar com Jesus em sua vida pública. Ele é apresentado como o Filho de Deus, nosso Senhor e Salvador.

No Tempo Comum temos 34 semanas, em dois ciclos: o primeiro é interrompido pela Quaresma; após a festa de Pentecostes, iniciamos o segundo ciclo. As leituras são distribuídas por três anos, seguindo um Evangelho sinótico.

Um aspecto que este tempo salienta é a congregação do povo de Deus. A assembleia se reúne no Domingo para realizar as ações sagradas do culto cristão. Reúne-se para ouvir a Palavra e participar do sacrifício do Senhor.

No ano B lemos o Evangelho de Marcos, uma espécie de catecismo de iniciação cristã, que revela a pessoa de Jesus e o que significa acreditar e seguir o seu caminho. Ele é o Messias, o Filho de Deus (Mc 1,1; 15,39) que veio anunciar o Reino como vontade do Pai.

O 2º domingo do Tempo Comum, nos três anos litúrgicos, oferece passagens do Evangelho de João.

Vocação é o tema central da Palavra de Deus neste 2º domingo do Tempo Comum, ano B.

1 Sm 3,3b-10.19: Apesar de ter sido consagrado ao Senhor e ter crescido no santuário de Silo, Samuel não compreendeu o seu chamado, que precisou repetir-se por três vezes. Foram necessários a intervenção e o discernimento do velho sacerdote Eli. Após discernir a voz de Deus, Samuel colocou-se a serviço: “Fala, que teu servo escuta”.

João 1,35-42 narra a vocação dos primeiros discípulos. O texto inicia falando da missão de João Batista, que aponta para Jesus, o “Cordeiro de Deus”. Esse testemunho de João já despertou dois discípulos para seguir o Mestre. Percebendo este seguimento, perguntou-lhes: “O que estais procurando”? Ao ser interrogado pelos mesmos sobre seu lugar de morada, continuou: “Vinde ver”. Eles foram e permaneceram com ele naquele dia. André conduziu também seu irmão Simão Pedro a Jesus.

O apóstolo Paulo apresenta as motivações para a pureza e a santidade da pessoa humana (1 Cor 6,13c-15ª.17-20): o corpo é para o Senhor, pois somos membros de Cristo; nosso corpo é santuário do Espírito, portanto, devemos glorificar a Deus com o nosso corpo.

A vocação é um chamamento que exige uma resposta. É dom de Deus, que toma a iniciativa de chamar, atuando nas pessoas que respondem aos seus apelos. Deus é a fonte de toda vocação.

A vocação é pessoal: cada um é chamado a dar sua resposta.

Deus chama diretamente, mas também pelas mediações. A vocação exige a presença de pessoas experientes que ajudam no discernimento. Eli ajudou Samuel a discernir e a compreender o chamado de Deus. A vocação dos primeiros discípulos brotou do testemunho de João Batista, da experiência de permanecer com Jesus e do encaminhamento de outros. Uma pessoa sozinha não é capaz de discernir a vontade de Deus. Ao longo da vivência de uma vocação é preciso que a mesma seja acompanhada e orientada por pessoas experientes.

A vocação é fazer a vontade de Deus, é guardar a sua lei (Sl 39 (40), 9).

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.