26º Domingo do Tempo Comum

“As divinas Escrituras sempre foram veneradas como o próprio Corpo do Senhor pela Igreja” (Dei Verbum, 21). Desde 1947 a Igreja católica celebra no último domingo de setembro o dia da Bíblia, próximo da memória de são Jerônimo, que fez as revisões da tradução das Sagradas Escrituras para o latim, conhecida pelo título de Vulgata. A partir de 1971 todo o mês de setembro é dedicado à Palavra de Deus.

O ser humano é religioso por natureza. Ele é criado para viver em comunhão com Deus e só nele encontrar o sentido da vida e sua felicidade. Mas como chegar ao Criador? Como conhecê-lo? Há várias vias de acesso ao conhecimento de Deus: Ele pode ser conhecido pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas. Mas temos a necessidade de iluminar esta revelação, e as Escrituras nos ajudam nessa tarefa.

A Bíblia é o livro mais lido do mundo e utilizado em inúmeras e diversas circunstâncias e situações da vida do ser humano, principalmente em suas orações e celebrações. Apesar dessa familiaridade, a sua leitura e compreensão não são tão simples.

Na leitura e interpretação da Bíblia devemos considerar alguns elementos importantes: o texto escrito, a realidade e a comunidade de fé.

Como texto escrito, devemos levar em conta tudo o que se estudou sobre ele, o uso de nossa inteligência, das ciências, o recurso de todas as ferramentas possíveis para a sua compreensão. A Bíblia foi escrita para iluminar a realidade e a nossa vida. A comunidade é o lugar onde nos encontramos para celebrar, para rezar e viver a fé. Nela procuramos viver a nossa vocação como irmãos.

Mateus 21,28-32 narra uma parábola de Jesus. Ele está em Jerusalém, no Templo, dialogando com os chefes dos sacerdotes e anciãos. Conta uma estória com três personagens: o pai e os dois filhos. Ambos os filhos têm atitudes que se contrastam. Diante do pedido do pai, deles irem trabalhar na vinha, o primeiro respondeu: “Não quero”, mas se arrependeu, mudou de opinião e obedeceu. O outro respondeu “Sim, senhor, eu vou”, mas não obedeceu. O filho que não obedeceu representa a figura dos fariseus ou lideranças do poder religioso: acreditavam que viviam sua justiça e a vontade de Deus, mas agiam de modo diferente. Foram responsáveis pela morte de Jesus. O filho que obedeceu representa os pecadores que aceitaram Jesus e se comprometeram com a justiça do Reino. Apesar de sua condição de pecadores, são fiéis à vontade de Deus.

Somos chamados a trabalhar na vinha do Senhor, a buscar a justiça do Reino, a viver o amor do Pai. Ser cristão é se comprometer com o Evangelho de Jesus. A garantia da santidade é fazer a vontade do Pai.

Paulo apresenta Jesus como modelo a ser seguido (Fl 2,1-11). Ele é o Filho de Deus, tinha a posse da natureza divina, mas não reteve para si esta condição, esvaziou-se em sua vida mortal, perdeu o poder divino e se tornou um simples homem escravo. Obedeceu ao Pai até à morte, despojando-se de tudo para servir. Por isso foi exaltado, e nele e por ele, toda a criação presta um culto de adoração, proclamando: “Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”

Deus não quer a morte do justo, mas a sua conversão. Ele quer a vida dos seus filhos. Devemos reconhecer os nossos erros e voltar para Ele (Ez 18,25-29).

O Senhor nos espera na Eucaristia. Transmite-nos a sua Palavra que reforça a nossa adesão à sua vontade. Que o Ele derrame sobre nós a sua graça, para que caminhando ao encontro de suas promessas, alcancemos os bens que nos reserva.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.