28º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Mateus 22,1-14 narra a parábola do banquete. Jesus está em Jerusalém, no Templo, discutindo com os sumos sacerdotes e anciãos do povo. Conta a estória de um rei que preparou um banquete para celebrar a festa de casamento do seu filho. Os primeiros convidados recusaram. O banquete estava pronto, mas sem gente. Por isso, o convite foi repetido, e novamente houve uma recusa. Cada um deu a sua desculpa para não participar, e alguns até foram violentos com os empregados. Diante das recusas dos convidados de honra, o rei pediu para chamar aqueles que estavam à margem da festa, os excluídos da sociedade.

O que Jesus quer nos ensinar com esta parábola? O rei é Deus e Ele é o Filho. O banquete é o símbolo da sua aliança com o seu povo, um projeto de abundância, vida e felicidade. O Pai celeste celebra essa aliança com os seus filhos, pela mediação do seu Filho Jesus, revelador da Nova Aliança, baseada na justiça e no amor. Diante da proposta do Pai, alguns recusam, não aceitam o Filho e o seu caminho de justiça, pois estão preocupados com outras coisas, e não com a justiça do Reino. O convite então é dirigido aos marginalizados, que aceitam a fé em Jesus e aderem a sua proposta de salvação, participando do banquete do Reino. O novo povo de Deus nasce daqueles que aceitam Jesus. A entrada no Reino é fruto de um convite gratuito e de uma resposta livre e pessoal.

Mas não basta aderir a Jesus (Mt 22,11-14). É necessário usar a sua roupa, que é a responsabilidade e o compromisso com o Reino, a vivência das bem-aventuranças, a prática da justiça e da misericórdia. Se não, até aqueles que aderiram a Ele, serão excluídos.

Participar do Reino é dom de Deus, mas requer uma resposta humana consciente, livre e gratuita. Jesus inaugurou a justiça do Reino (Mt 3,15). Ela é expressão da vontade do Pai, que quer os seus filhos livres e salvos.

Mas “se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos Céus” (Mt 5,20). Quem segue Jesus deve superar a justiça dos escribas e fariseus e buscar a justiça do Reino em primeiro lugar (Mt 6,33). Esta prática transforma o coração e coloca a misericórdia acima de tudo, fazendo gerar pessoas novas. Quem vive a justiça do Reino é livre e íntegro, é sincero e transparente nas suas ações, ama acima de tudo e celebra o banquete com o Senhor.

O apóstolo Paulo agradece a ajuda que recebeu da comunidade, mas alegrou-se mais com a sua generosidade. Ele não pode pagar esta ajuda, só Deus. Nele está a nossa força (Fl 4,12-14.19-20).

Is 25,6-10 é uma passagem marcada pela esperança e confiança na ação de Deus, que convoca o seu povo para um banquete fraterno, com ricas iguarias, símbolo da sua salvação, com a eliminação das lágrimas, do luto, da tristeza e da morte.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo diocesano.