3º Domingo do Tempo Comum - Ano B

Estamos iniciando a leitura do Evangelho de Marcos, uma espécie de catecismo de iniciação cristã, que revela a pessoa de Jesus e o que significa acreditar e seguir o seu caminho. Ele é o Messias, o Filho de Deus (Mc 1,1; 15,39) que veio anunciar o Reino como vontade do Pai.

Na passagem indicada (Mc 1,14-20), temos duas realidades importantes.

A primeira é o anúncio do Reino de Deus (Basileía tou Theou), conteúdo central na pregação de Jesus. O Evangelho é o anúncio do estabelecimento do Reino de Deus, que é a sua própria presença na vida dos seres humanos e tudo o que ela significa: amor, perdão, paz, justiça, vida e salvação.

O Reino é dom do Espírito e a realização de todas as promessas. Jesus falou de sua proximidade, que acontece na sua missão e na missão da Igreja. A presença do Reino exige a nossa conversão, que é uma abertura ao Evangelho.

Após o anúncio do Reino, Jesus chamou os primeiros discípulos: Simão, André, Tiago e João.

A vocação é um chamamento que exige uma resposta. É dom de Deus, que toma a iniciativa de chamar, atuando nas pessoas que respondem aos seus apelos. A vocação é pessoal: cada um é chamado a dar sua resposta, de acordo com a vontade do Senhor, sendo fiel à sua palavra. Ela exige renúncia e desprendimento: os quatro primeiros discípulos deixaram as redes, as barcas, a profissão e a família.

Jonas foi enviado por Deus à Nínive, a grande capital dos assírios, para denunciar os seus crimes. Com muito medo e, no lugar de obedecer ao Senhor, pegou um navio e tentou fugir para um lugar bem distante. Após enfrentar uma tempestade, ser jogado ao mar e engolido por um peixe, rezou pedindo a salvação. Novamente chamado (Jn 3,1-5.10), obediente à palavra e à ordem do Senhor, foi pregar a necessidade de arrependimento e conversão dos ninivitas, que acolheram os seus apelos, acreditando em Deus e demonstrando arrependimento, mediante obras de conversão. Deus se compadeceu do povo e não destruiu a cidade de Nínive.

Aos cristãos de Corinto (1 Cor 7,29-31), que acreditavam na volta iminente de Jesus, Paulo pregou a prontidão e a liberdade diante das coisas como melhor resposta.   

O que é mais importante em nossa vida? Esse é o discernimento que a palavra oferece: só o Reino de Deus e seus valores são absolutos, como o amor, a misericórdia, a justiça. A vida e as coisas têm seus valores, mas tudo é provisório e passageiro. Deus é o único bem.

Uma vocação autêntica supõe várias circunstâncias, compromissos e caminhos específicos e diferentes para realizá-la. Mas há uma fonte comum: Deus. Somente Jesus, que é amor, tem autoridade de nos chamar e garantir a sua presença e proteção. Com ele, podemos responder ao chamado e avançar para águas mais profundas (Lc 5,4). Com a força do Espírito, superamos os apegos e afeições desordenadas, vencemos os limites e fraquezas e prosseguimos firmes na missão. Quando o nosso coração está em Deus, perdemos o medo, pois contamos com uma força maior.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.