4º Domingo da Páscoa

O 4º Domingo da Páscoa é dedicado ao Bom Pastor, imagem muito conhecida na Bíblia, aplicada a Deus, ao chefe, ao pai, ao líder ou rei.

O pastor, de fato, tinha uma relação afetuosa com as ovelhas. Conhecia o seu rebanho, chamava cada ovelha pelo nome, protegia e tratava do rebanho com carinho. Quem exercia uma autoridade deveria agir como o pastor de ovelhas.

Jesus se apresenta como a porta das ovelhas (Jo 10,1-10). Por essa porta, as ovelhas podem passar sem perigo, ela protege, pois Ele veio para que as ovelhas “tenham vida e a tenham em abundância”.

Quando Jesus utiliza as imagens da porta e pastor, afirma que algo sagrado deve ser preservado, que é o rebanho. A vida daqueles que são obra de Deus deve ser preservada de ladrões e assaltantes.

As ovelhas devem buscar o redil, ouvir a voz do pastor e segui-lo para a sua proteção. Não devem seguir um estranho.

A preocupação de Jesus é com todo o rebanho. Cada um é precioso aos olhos do Pai. Cada pessoa está no coração de Deus. Cada vida encerra em si um valor bendito e sagrado. A vida que o Senhor quer resgatar é muito mais do que podemos imaginar. É maior desta vida que conhecemos. Deus nos quer para Ele, pois somos queridos, desejados e amados, desde o princípio da nossa existência. Somos fruto do seu amor.

A Palavra de Deus faz um apelo vocacional a cada um de nós: buscar o Senhor, ouvir sua voz e segui-lo. Nele se encontram a vida e a segurança. Nas palavras do apóstolo Pedro (At 2,14ª.36-41), devemos reconhecer Jesus como “Senhor e Cristo”. É necessária a nossa conversão. Devemos voltar para o pastor e guarda de nossas vidas (1 Pd 2,20b-25).

Por ocasião do 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Papa Francisco escreveu uma mensagem, cujo tema é: “As palavras da Vocação”. O Papa retoma a sua Carta aos sacerdotes, escrita por ocasião do 160º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, quando, inspirado em Mt 14,22-33, destacou algumas palavras chaves – tribulação, gratidão, coragem e louvor, para agradecer aos sacerdotes e apoiar o seu ministério, agora palavras dirigidas a todo o povo de Deus.

A referência bíblica narra cenas logo após a multiplicação dos pães: “Jesus mandou os discípulos entrarem no barco e irem à sua frente para a outra margem, enquanto ele despediria as multidões” (Mt 14,22).

O Santo Padre apresenta a imagem da travessia do lago como a viagem de nossa existência, com suas esperanças e riscos. Não é uma tarefa tranquila.

Como não estamos sós em nossa vocação, somos chamados e guiados pelo Senhor, toda a nossa gratidão a Ele e o nosso reconhecimento de sua passagem em nossa vida.

Jesus nos consola, tranquiliza e encoraja com a sua presença e palavras: “Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27). Toda vocação exige coragem, pois muitas dúvidas e dificuldades agitam o barco do nosso coração. Somente o Senhor, que é amor e nos ama, dá plena garantia dessas palavras: “Não tenhais medo!” Com Ele podemos fazer a travessia.

A vocação implica fadiga: temos ardor e fragilidades. Como Pedro, podemos desviar o olhar de Jesus e correr o risco de afundar. A fé, que confia e conta com uma força maior, nos coloca com entusiasmo na missão. O Senhor sempre estende a sua mão para nos salvar.

Por fim, o Papa cita o exemplo de Maria, mulher de gratidão, que nos ensina a louvar o Senhor, que fez e faz grandes coisas na sua vida e na nossa.

No final de sua mensagem, Francisco deseja que a Igreja percorra o caminho ao serviço das vocações, “abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer ‘sim’, vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, com um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro”.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.