4º Domingo da Quaresma

A liturgia do 4º Domingo da Quaresma apresenta a imagem da luz. Celebramos a alegria em meio à penitência. “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”, é o convite da antífona de entrada da Missa, citando Isaías 66,10-11. Por que a alegria? Porque o nosso coração exulta diante da certeza da salvação que vem de Deus: Ele é a nossa luz.

João 9, 1-41 narra a cena da cura do cego de nascença. É o sexto sinal nesse Evangelho. A função dos sinais é revelar a pessoa de Jesus. Aqui Ele é apresentado como a luz.

O cego faz a experiência da cegueira à visão, da incredulidade à fé. Reconhece Jesus como homem, como servo de Deus, como profeta, como Filho do Homem, como Senhor.

Jesus é a luz e nós o acolhemos na fé. Ele é a luz que faz brilhar os olhos da fé. Ele é o servo de Deus que nos ajuda a ver as coisas.

Em continuidade com o 3º Domingo, temos aqui uma catequese batismal. Lá com o símbolo da água, aqui, a luz.

O pecado cega, aliena e nos coloca nas trevas. Jesus é a luz que ilumina os que recebem o batismo. Neste sacramento recebemos a luz de Cristo, o próprio Senhor, nossa luz. Recebemos Aquele que nos liberta das trevas e nos comunica o amor, a verdade e a salvação.

A Quaresma nos convida à conversão. Ao mesmo tempo que o Batismo nos coloca na luz, ainda permanece em nós vestígios das trevas. Recebemos o dom da fé como um germe que desenvolve-se com a graça de Deus e com a nossa liberdade. Fomos consagrados a Cristo, mas ainda temos em nós sinais do pecado. 

Somos chamados a assumir a nossa condição de batizados. Somos chamados a viver a nossa inserção no Corpo místico de Cristo. Quem segue Jesus pratica a verdade, tem a vida, é filho da luz.

Em Efésios 5,8-14, Paulo diz que outrora éramos trevas, mas agora somos luz no Senhor. A nossa missão é viver como “filhos da luz”, produzindo como frutos a bondade, a justiça e a verdade. Devemos fazer o que “agrada ao Senhor”, que é uma vida de santidade. Quem é de Cristo afasta-se das obras das trevas e aproxima-se da luz.

No seu testamento espiritual, santa Teresa de Calcutá dizia: “Se eu alguma vez vier a ser santa – serei com certeza uma santa da escuridão. Estarei continuamente ausente do Céu – para acender a luz daqueles que na terra se encontram na escuridão”. Jesus pediu para que ela fosse sua luz. E ela se esforçou para ser essa luz do amor de Deus na vida dos que se encontravam na escuridão. Mesmo que a “escuridão” (interior) se tornasse a maior provação de sua vida.

Recebendo a iluminação interior do Senhor, também assumimos essa missão: ser luz na vida dos irmãos. “Fazei tudo sem murmurar nem comentar, para que sejais irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem defeito, no meio de uma geração perversa e corrupta, na qual brilhais como luzeiros no mundo” (Fl 2,14-15). 

Pela força e pela graça do Espírito Santo acolhemos e vivemos essa missão, na sua unção e na alegria espiritual.

Dom Paulo Roberto Beloto,Bispo Diocesano.