5° Domingo da Quaresma

Rezamos no 5º Domingo da Quaresma a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45). É o último sinal de Jesus, antes de sua morte. A intenção da narrativa é revelar a sua pessoa como a ressurreição e a vida. Quem crê nele tem a vida. Sua ressurreição é penhor da nossa. Jesus tira-nos do túmulo do pecado, desata as faixas que nos impedem de andar e cria-nos novamente pelo Espírito.

Em três domingos seguidos nessa Quaresma refletimos sobre o nosso Batismo, em cada um deles, com a indicação de uma verdade. No 3º domingo, Cristo se apresentou como a fonte de água viva da qual devemos beber. O Batismo é um mergulho na vida de Deus. Domingo passado, Jesus se revelou como a luz para nos libertar do poder das trevas. No Batismo recebemos a luz de Cristo. Neste domingo, Cristo se apresenta como a ressurreição e a vida. No Batismo, Ele nos chamou da morte para a vida, das trevas para a luz. Jesus se comove de amor por cada um de nós, levantando-nos das quedas com o seu perdão.

Somos constantemente seduzidos pelo pecado que tira a nossa liberdade. Como a Lázaro, Jesus exclama com voz forte a cada um de nós: “Vem para fora!” De quantas coisas precisamos ser desatados? Cada um pode fazer a sua lista: orgulho, avareza, inveja, ira, impureza, gula, preguiça, indiferença, mentira, mediocridade, egoísmo, afeições desordenadas ...

A Quaresma e a Páscoa salientam de modo mais intenso o mistério pascal, que é atual na medida em que opera algo em nós. Esses tempos litúrgicos ajudam a celebrar a vida que Deus nos oferece em Jesus: Ele é o Senhor que nos conduz.

Ezequiel 37,12-14 narra uma de suas visões. Ele vê o povo de Israel, vencido e desanimado no exílio, como um monte de ossos secos. Deus age e faz o povo voltar à vida.

Em Romanos 8,8-11, Paulo fala do Espírito que dá a vida. Quem se deixa guiar por Deus tem a vida.

Deixar-se guiar por Deus é orientar a existência para a plenitude. O nosso coração foi feito para estar em sintonia e união com o Senhor. Quando o excluímos de nosso horizonte, excluímos o próprio horizonte.

É preciso deixar-se iluminar pelo Espírito de Jesus. Assim experimentamos a libertação das amarras do pecado, saímos do túmulo do medo, do desânimo e da morte. O Espírito gera a vida em nós. Quando deixamos o Espírito nos guiar, podemos também oferecer a vida aos outros.

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?” (Jo 11,25-26). Que essa afirmação e pergunta de Jesus, dirigidas a Marta, ressoe também no íntimo de cada um de nós.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.