7º Domingo do Tempo Comum

Mateus 5, 20 é a chave de leitura para se entender o Sermão da Montanha: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no reino dos céus”.

A justiça dos escribas e fariseus era baseada na observância rigorosa da Lei, que marginalizava e excluía os doentes, as crianças, as mulheres, os pobres.

A justiça de Jesus tem como base a prática do direito, da misericórdia e da fidelidade (Mt 23,23). Somente assim os discípulos poderão superar a justiça dos escribas e fariseus.

Jesus usa 5 exemplos, presentes na liturgia do 6º domingo (Mt 5,20-37) e no 7º domingo comum (Mt 5,38-48), tirados da Lei Antiga, comparando-os com a Nova Lei que Ele veio realizar. Essa Nova Lei expressa a vontade de Deus, que é a prática do amor.

1ª comparação – “Não matarás” (Mt 5,21). Na justiça do reino a vida deve ser defendida em todos os níveis. O relacionamento com o irmão tem como medida o amor e o perdão.

2ª comparação – “Não cometerás adultério” (Mt 5,27).  Na justiça do reino homem e mulher têm a mesma dignidade que deve ser respeitada. Também o amor é a medida na união conjugal.

3ª comparação – “Não jurarás falso” (Mt 5,33). Na justiça do reino a verdade e a sinceridade estão acima de qualquer interesse.

4ª comparação – “Olho por olho dente e por dente” (Mt 5,38). Na justiça do reino não se deve retribuir com a mesma moeda, a não ser na prática do amor.

5ª comparação – “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo” (Mt 5,43). Na justiça do reino o amor se estende aos inimigos.

Na justiça do reino o discípulo deve buscar a perfeição e a santidade (Mt 5,48) Algumas exigências nesta prática.

Não criticar, não julgar e não condenar os outros. Há necessidade de correção, mas que seja com amor.

Elogiar, valorizar, qualificar, respeitar e interessar-se sinceramente pelas pessoas. Pois amar é dar atenção e ver que o outro é importante para mim.

É preciso ter compreensão, tolerância, solidariedade, compaixão e paciência com as pessoas.

O perdão é fundamental no relacionamento humano. Perdoar é uma abertura ao amor.

Devemos rezar pelos outros e os abençoar: na oração vejo as pessoas com olhos de Jesus.

O relacionamento humano exige um ultrapassar a nós mesmos. Se não temos o alimento espiritual necessário, curvamo-nos na comodidade. Precisamos da graça de Deus.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.