Ascensão do Senhor

Quando recitamos o Creio, professamos a nossa fé na ascensão de Jesus: afirmamos que Ele “subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”. Jesus entrou com a sua humanidade de modo definitivo “no domínio celeste de Deus, de onde voltará, até lá, no entanto, o esconde aos olhos dos homens” (CIC, 665).

A ascensão é a celebração da exaltação do senhorio de Jesus. É o coroamento da sua caminhada entre nós. Agora está sentado à direita do Pai, em plena comunhão com Ele. Por isso, é o único mediador entre Deus e a humanidade.

A glorificação do Senhor é um mistério que não se explica com a razão humana. Só o olhar da fé nos leva a celebrar a glória e o senhorio de Jesus.

A Ascensão indica duas dimensões da nossa fé, duas realidades que caracterizam a nossa vocação de batizados e seguidores de Jesus, dois pilares de nossa espiritualidade: nossa consagração e nossa missão, a amizade com o Senhor e o compromisso com o Reino, nossa comunhão e nosso serviço. A vida espiritual do cristão brota da sua identificação com Cristo em seu ser e em sua missão.

Contemplamos o Senhor na glória. Nosso desejo é o céu, nossa mente e o nosso coração se voltam para o alto, para onde está Cristo, sentado à direita de Deus.

A fé nos leva a buscar o Senhor como nosso único bem. Só nele encontramos a verdadeira felicidade. Todo o nosso ser se volta para o transcendente, pois não vivemos sem o amor do Pai que nos criou, que integra a nossa vida e dá sentido à nossa existência; sem a graça de Jesus Cristo que nos cura e nos redime de todo o mal e nos salva; sem a comunhão com o Espírito Santo que habita em cada um de nós, santifica e nos fortalece para a missão. Quando celebramos essa comunhão com a Trindade Santa somos contagiados pelo amor sem medidas do Pai, pela solidariedade do Filho e pela unção do Espírito.

Somos discípulos de Jesus. Antes de servir, devemos nos colocar aos pés do Mestre, entrar em comunhão com Ele, escutá-lo e receber o alimento necessário para a nossa vida cristã. Na intimidade, nos reabastecemos. Depois da escuta amorosa e silenciosa, temos o que oferecer. Nenhuma atividade humana tem sentido e valor se Deus não estiver na sua origem. A vida interior é imprescindível em nossa experiência cristã. Na sociedade atual a interioridade perdeu espaço, pois o que vale é o exterior, a matéria, o rumor, o barulho, a distração. Mais cedo ou mais tarde, vem o vazio. Sem a comunhão com Deus a existência humana perde o sentido e o nosso coração torna-se inquieto. Sem essa experiência com Ele ficamos às escuras sobre sua Pessoa e sobre nós mesmos.

Celebramos a nossa condição de discípulo através da oração pessoal e comunitária, escutando a Palavra, celebrando os sacramentos, na nossa piedade, devoção à Maria e aos santos.

A vida cristã não é apenas vertical: ela se concretiza na missão. Jesus “foi levado ao céu à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo” (At 1,9). A presença de Jesus se dá, agora, por meio dos sacramentos, sinais simbólicos da liturgia. Por isso, percebemos a presença do Senhor quando estamos reunidos em torno da Palavra e da Mesa Sacramental, alimentos que nos levam à experiência missionária.

Agora é tempo do Espírito, tempo da ação, tempo da missão, do apostolado, do testemunho (At 1,8). É tempo de sair, nos diz no Papa Francisco. É tempo de servir.

Somos amigos de Deus (At 1,1). O Batismo nos insere no corpo do Senhor. Subimos ao céu com Jesus, mas enquanto não se realiza plenamente em nosso corpo o que o Pai prometeu, estamos em missão.

Somos enviados por Jesus: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos” (Mt 28,19). O Batismo é o sacramento da inserção na vida de Cristo e da Igreja. Participamos da vida de Deus. Esta condição nos impele a uma vocação, a uma missão. Somos peregrinos da fé, chamados a dar testemunho do Senhor e do seu Evangelho. Ele estará presente com o seu Espírito, que nos santifica e nos concede carismas para o serviço.

Rezemos pelo 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o Tema: “Para que possas contar e fixar na memória (Ex 10,2). A vida se faz história”. O Papa fala da importância das boas histórias, que marcam profundamente a nossa vida. Há também aquelas banais e que destroem as coisas boas. É preciso discernir, olhando a Bíblia, grande história de amor entre Deus e a humanidade. Jesus é o centro  

Que Deus abençoe todos os profissionais da comunicação, na divulgação de histórias que narram a verdade e que libertam.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.