Domingo de Páscoa

“Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!” O versículo 24 do Salmo 118 nos acompanha no Domingo e Oitava da Páscoa. Celebramos com alegria e exultação a ressurreição do Senhor, pois a nossa fé depende deste fato e desta verdade. Ser cristão é viver à luz da ressurreição. O Espírito que deu a vida ao corpo de Cristo, dá a vida à Igreja e aos fiéis. Quem está nele, é “criatura nova” (2 Cor 5,17), nos ensina o apóstolo Paulo, vive a vida nova (Rm 6,4), dada no Batismo, na Confirmação e Eucaristia, busca as “coisas do alto” (Cl 3,1), onde Ele está.

Alguns símbolos expressam o significado da Páscoa: um deles é a luz, representada no Círio pascal, a grande vela acesa no fogo novo, e que permanece exposto solenemente nas Igrejas durante o tempo pascal.

A imagem da luz é familiar nas Sagradas Escrituras. É a primeira coisa a ser criada (Gn 1,3). A luz é símbolo da salvação, esplendor da glória de Deus. Era aplicada também à Lei, à Palavra (Sl 119,105) e à cidade de Jerusalém, de onde deveria sair o ensinamento de Deus. No futuro, segundo o Apocalipse de João, “a cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus a ilumina, e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23)

O Senhor é nossa luz e salvação (Sl 27,1), nele não há trevas” (1 Jo 1,5). O futuro que Deus oferece é Ele mesmo, presente em nosso meio, iluminando a nossa vida (Ap 22,5). Jesus é a luz do mundo que ilumina a vida dos seres humanos (Jo 1,9; 3,19; 8,12; 12,35-36.46). Ele é luz enquanto comunica o amor, a verdade e a salvação.

“Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Quem segue a Jesus, pratica a verdade, tem a vida, é filho da luz. A comunidade é portadora da luz de Jesus; é portadora da sua sabedoria e comunicadora da sua verdade. “Outros éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Procedei como filhos da luz. E o fruto da luz é toda espécie de bondade e de justiça e de verdade” (Ef 5,8-9). “Fazei tudo sem murmurar nem comentar, para que sejais irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem defeito, no meio de uma geração perversa e corrupta, na qual brilhais como luzeiros no mundo” (Fl 2,14-15). 

Viver a Páscoa é seguir na força do Espírito. Ele que deu a vida ao corpo ressuscitado do Senhor Jesus, dá a vida à Igreja e aos seus fiéis. Ele nos faz experimentar a força da ressurreição e ter entusiasmo pelas coisas de Deus.

Quem acredita no Senhor ressuscitado prossegue no seu caminho, mesmo dentro da noite escura da vida: sua fé é a luz que ilumina as trevas. Sem a fé, passamos da noite à tempestade. Como caminhar? Tudo se torna confuso e obscuro. Somos como um peregrino no meio do nevoeiro. A fé nos leva a acreditar no amor de Deus e na sua infinita misericórdia: no seu Filho morto e ressuscitado. Ele derrota todo ódio, mal e pecado, abrindo-nos à vida eterna.

Alimentamos a nossa vocação de cristãos ressuscitados na oração, na escuta atenta e vivência da Palavra e na celebração dos sacramentos.

Na liturgia batismal da Vigília Pascal, o presidente da celebração acende a sua vela no Círio. Depois, cada um que tem sua vela acesa, vai passando a luz aos demais. Forma-se uma corrente luminosa, tendo Cristo como fundamento. A nossa vocação de cristãos é ser luz para os irmãos.  

Uma santa e feliz Páscoa a todos.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.