Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor inicia a Semana Santa. Mesmo com as Igrejas de portas fechadas, com a nossa fé e o nosso coração, somos introduzidos no mistério da Páscoa.

Jesus é acolhido e aclamado como profeta (Messias), com exultação e alegria pela multidão na sua entrada em Jerusalém. As vestes e os ramos estendidos pelo caminho indicam essa veneração. Mas sabemos que sua passagem pela cidade não foi tranquila. A sua opção de ser um rei manso, simples, desapegado e dócil à vontade do Pai, gerou seu sofrimento e morte, causas de nossa salvação.

Os ramos utilizados em nossa celebração indicam a nossa aceitação de Jesus como nosso Senhor, nossa identidade de cristãos, fidelidade e obediência aos seus ensinamentos.

Somos convidados a entrar no mistério da Semana Santa com ânimo e generosidade, e deixar o Espírito renovar em nós, através da palavra, das orações, dos sinais, das pessoas e do mistério eucarístico a nossa vida cristã. 

Somos convidados a reconhecer a entrada de Jesus em nossa vida. É o único que pode dar sentido à nossa existência. Quando acolhemos Jesus recebemos o amor, a vida e a salvação.

Jesus tem desejo de celebrar a Páscoa conosco, de fazer parte de nossa vida, de ser o Senhor de nossa história.

Certo dia, quando escavava os escombros de uma cidade antiga, um arqueólogo descobriu, escondida na terra, uma velha moeda. Ela estava em péssimo estado, coberta de azinhavre, suja de argila, corroída pela umidade, destruída pelo tempo. O arqueólogo a tomou nas mãos com infinita delicadeza e começou a limpá-la com doçura. E o milagre aconteceu! Eis que apareceu pouco a pouco o rosto apagado do rei com cuja efígie a moeda fora cunhada.

No mistério da Semana Santa que hoje iniciamos, Jesus, pela sua misericórdia, quer fazer nascer de novo em nós o seu Rosto maculado pelos nossos pecados.

E nós acolhemos a redenção que Ele nos mereceu. Ele morreu por nós, por isso não vamos abandoná-lo neste momento de solidão. A nossa participação na paixão do Senhor deve fazer crescer em nós o santo temor de Deus. Enquanto houver pecado a paixão de Cristo continua. Enquanto participamos do pecado, necessitamos de redenção.

Vamos deixar crucificar com Cristo a pessoa velha para surgir o novo que vive segundo o Espírito, transformados pelo amor redentor do Senhor. Essa experiência nos torna solidários com os que sofrem. Seremos sinais de esperança, missionários de sua misericórdia e glorificados com Ele.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.