"Estavam com ele os Doze, e também algumas mulheres" (Lc 8,1)

Acolhemos com alegria e gratidão a aprovação na Carta Apostólica em forma de Motu Proprio, Spiritus Domini, de 10 de janeiro de 2021, festa do Batismo do Senhor, do Papa Francisco, a modificação do que prescreve o Código de Direito Canônico, cân 230, § 1, que trata do ministério de Leitor e Acólito, assumido até, então, por leigos varões, mediante rito litúrgico, agora também por mulheres. O Papa estabelece um acesso institucional e estável, com um mandato especial, de mulheres nos serviços da Palavra e do Altar.

Vamos entender esses dois serviços:

1 - O leitor faz a leitura da Palavra de Deus na assembleia litúrgica; na falta do salmista, recita o salmo; pode apresentar as intenções da oração universal dos fiéis; cabe-lhe ainda dirigir o canto e orientar a participação do povo; também é sua função instruir na fé crianças e adultos para receberem dignamente os sacramentos.

2 - O acólito ajuda o diácono e ministrar ao sacerdote; cuida do altar; auxilia o sacerdote nas ações litúrgicas, sobretudo na celebração da Missa; distribui a comunhão como ministro extraordinário; pode expor e repor a Sagrada Eucaristia para a adoração pública dos fiéis.

Esses serviços, até então, conforme tradição da Igreja, segundo o Código de Direito Canônico, instituídos oficialmente mediante rito próprio, era reservado somente aos homens. Quem tem recebido esses ministérios são os candidatos às Ordens Sacras, para exercerem essas funções por um tempo conveniente, a fim de melhor se prepararem para os futuros ministérios da Palavra e do Altar.

Na prática, quantos homens e mulheres já assumem essas funções em nossas paróquias e comunidades? Segundo ensinamento da Igreja, não há impedimento de que os mesmos sejam também conferidos aos fiéis leigos homens, agora com essa autorização do Papa Francisco, também as mulheres, aptos para isso. Essa participação vem em decorrência do sacerdócio batismal, comum a todos os fiéis. A vocação dos cristãos leigos e leigas é participação na própria missão salvífica da Igreja. No caso das mulheres, é um reconhecimento significativo, já que em nossas assembleias, quem mais participa são elas. Precisamos acolher e valorizar essa vocação e missão, num espírito de comunhão e participação. Cabe a cada Igreja Particular dar passos nesse reconhecimento oficial.

Deus seja louvado.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.