O Evangelho de Jesus é a maior justiça para a humanidade

Papa ao meditar a quarta bem-aventurança: até mesmo na pessoa mais corrupta há sempre a sede de verdade e de bem, que é a sede de Deus.

VATICANO

Da Biblioteca do Palácio Apostólico, o Papa Francisco realizou a Audiência Geral desta quarta-feira, 11. Sem fiéis, sem peregrinos, sem abraços nas crianças e com os telões da Praça São Pedro desligados, já que a mesma está fechada em virtude do coronavírus, a Catequese foi transmitida ao vivo pelo Vaticano. Em sua reflexão, o Pontífice deu continuidade ao ciclo sobre as bem-aventuranças e meditou sobre a quarta delas: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”.

Fome e sede são necessidades primárias, dizem respeito à sobrevivência, observou o Santo Padre, mas fome e sede de justiça falam de outra exigência vital e não se trata de vingança. “Certamente, as injustiças ferem a humanidade; a sociedade humana tem urgência de equidade, de verdade e de justiça social; recordam que o mal sofrido pelas mulheres e pelos homens do mundo chega até o coração do Pai. Qual pai não sofreria pela dor dos seus filhos?”, questionou.

A fome e a sede de justiça de que fala o Senhor, prosseguiu o Papa, é ainda mais profunda do que a legítima necessidade de justiça humana que todo homem carrega em seu coração. No próprio “sermão da montanha”, Francisco conta que Jesus fala de uma justiça maior do que o direito humano, dizendo: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt 5,20). É a justiça que vem de Deus” (cfr 1 Cor 1,30).

Nas Escrituras, há uma sede ainda mais profunda do que aquela física, explicou o Pontífice. “Como diz o Salmo 63, a nossa alma tem sede de Deus, como terra deserta, árida, sem água”, completou. Santo Agostinho, lembrou o Papa, expressou o que significa esse desejo, quando afirmou que o coração de homens e mulheres permanece inquieto até repousar em Deus.

“Em todo coração, até mesmo na pessoa mais corrupta e distante do bem, está escondido um anseio rumo à luz, mesmo se sob os escombros de enganos e erros, há sempre a sede de verdade e de bem, que é a sede de Deus. É o Espírito Santo que suscita esta sede”, esclareceu. Por isso, Francisco afirmou que a Igreja é enviada a anunciar a todos a Palavra de Deus, porque o Evangelho de Jesus Cristo é a maior justiça que se possa oferecer ao coração da humanidade, que é uma sua necessidade vital, mesmo que não perceba.

Cada pessoa é chamada a redescobrir o que conta realmente, daquilo que realmente necessita, o que faz viver bem e, ao mesmo tempo, o que é secundário e aquilo que, tranquilamente, pode-se abrir mão, pontuou o Papa. Nesta bem-aventurança, o Santo Padre sublinhou que Jesus anuncia que há uma sede que não será desiludida, porque corresponde ao coração próprio de Deus e à semente que o Espírito Santo semeou nos corações.

O Pontífice concluiu: “Que o Senhor nos dê esta graça, de ter esta sede de justiça, que é a vontade de encontrar, de ver Deus e de fazer o bem aos outros”.

Fonte: Vatican News