Páscoa do Senhor

Serafim de Sarov, um monge russo que viveu no século 19, fez uma significativa experiência de silêncio e solidão, morando durante alguns anos só em um bosque. Depois, retornou para o mosteiro. Muitos o procuravam para receber conselhos e orientações. Ao se dirigir a cada pessoa, o santo dizia essas palavras: “Alegria minha, Cristo ressuscitou”. Esta expressão, brotada do interior da alma deste místico, transformava o coração de quem a ouvia.

Na Páscoa celebramos a ressurreição do Senhor, que passou deste mundo ao Pai, da morte à vida. A fé cristã é o reconhecimento dessa verdade: “Cristo ressuscitou dos mortos como o primeiro dos que morreram” (1 Cor 15,20). Sua humanidade foi glorificada.

O tempo pascal que iniciamos com a Missa de hoje nos educa para a presença do Senhor em nosso coração. Ser cristão é viver à luz da Páscoa.  É ser iluminado pela fé em Jesus Cristo, que foi “entregue por causa de nossas transgressões e ressuscitado para nossa justificação” (Rm 4,25). Quem está em Cristo é portador dessa Boa-Nova. Vive a moral pascal, também faz a sua passagem da morte para a vida, dos pecados para as virtudes, do mal para o bem.

Viver a Páscoa é deixar-se guiar pelo Espírito, é viver da intimidade divina, sabendo que essa experiência não elimina desafios e dificuldades, mas, à luz da fé, ajuda a compreendê-los e a superá-los. “E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos, vivificará também vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8,11).

Podemos pensar que depois dessa crise pandêmica, de obrigado isolamento, de mais silêncio e solidão, iremos sair mais fortalecidos. Não há necessidade de sairmos mais fortes, mas mais: humildes, recolhidos, orantes, abnegados, pacientes, desapegados, compreensivos, tolerantes, mansos, puros, leais, solidários, justos, amáveis, esperançosos, alegres, gratos e santos. Não precisamos saber a razão de tudo o que ocorreu, mas podemos amar e acolher tudo, à luz da fé. Essa atitude nos abre para a transcendência e a verdade mais profunda da nossa vida: a eternidade e a plenitude de Deus, certos daquilo que Ele quer de nós nesse tempo e espaço. “Ele te deu a conhecer, ó homem (e mulher), o que é bom e o que o Senhor procura de ti: Simplesmente praticar o direito, amar a bondade e caminhar humildemente com o teu Deus” (Mq 6,8).     

Uma santa e feliz Páscoa a todos.

Dom Paulo Roberto Beloto,Bispo Diocesano.


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