Quinta-feira Santa – Ceia do Senhor

A Oração Eucarística da Missa tem o seu início com o diálogo do celebrante com a assembleia, através do prefácio: O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós. Proclamamos nessa resposta uma verdade fundamental em nossa fé: Jesus ressuscitado está presente.

O Catecismo da Igreja Católica diz que Jesus “está presente de múltiplas maneiras na sua Igreja”, mas, sobretudo nas “espécies eucarísticas” (CIC, 1373). Assim continua a catequese: “No santíssimo sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente, o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de nosso Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo (Idem, 1374). Essa presença eucarística, pela ação do Espírito Santo, está na consagração e dura enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Daí o nosso culto de adoração ao sacramento da Eucaristia durante a Missa e no tabernáculo. Cristo permanece “no meio de nós como aquele que nos amou e que se entregou por nós” (Idem 1380).

Nesse tempo de isolamento, como superar essa “ausência”, das espécies consagradas, já que as pessoas não participam da celebração do sacramento e nem podem visitar Jesus no sacrário?

O Catecismo lembra o que diz Santo Tomás de Aquino: “A presença do verdadeiro Corpo de Cristo e do verdadeiro Sangue de Cristo neste sacramento não se pode descobrir pelos sentidos, mas só pela fé, baseada na autoridade de Deus” (Idem, 1381).

“O encontro com Cristo, graças à ação invisível do Espírito Santo, realiza-se na fé recebida e vivida na Igreja”. Ele está na “Sagrada Escritura”, “na Sagrada Liturgia”, na “oração pessoal e comunitária”, na caridade fraterna, “nos pobres, aflitos e enfermos”, na “piedade popular” (DAp, 246-275).

A orientação que a Igreja nos faz, seguindo a sua tradição, no caso de um impedimento de receber a comunhão eucarística, é a comunhão espiritual, que consiste no desejo de que Cristo esteja presente, em nosso interior, em nossa alma. É uma graça para qualquer pessoa. Cada um, espontaneamente, expressando sua fé, seu amor e seu desejo de Jesus, como um pobre, suplica a sua presença em seu coração. E com certeza, Ele estará. Nós acreditamos e aceitamos pela fé as suas palavras: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).  

Façamos dessa experiência que estamos vivendo uma aula para a nossa vida. Para além da apreensão, do medo, da perturbação, da solidão e de tudo aquilo de negativo que já vivemos nesses dias: Ele está no meio de nós.

Agora, mais do que nunca, aprendamos de São João Paulo II, a sermos fiéis à dádiva do Cenáculo, ao grande dom da Quinta-feira Santa; que celebremos sempre com fervor a Missa; que façamos adoração ao Cristo eucarístico; que inscrevamo-nos na “escola da Eucaristia”. Vamos redescobrir o tesouro da Santa Missa e a amar Cristo presente na Eucaristia.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.