Santíssima Trindade

A Trindade é o mistério cristão por excelência, o “mistério central da fé e da vida cristã. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina” (CIC, 234).

Todo o cristianismo leva a marca da Trindade: fomos batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; iniciamos e encerramos as nossas celebrações e orações em nome da Trindade Santa; glorificamos a Deus Pai e ao Cordeiro, com o Espírito Santo; cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso... em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus... e no Espírito Santo, Senhor que dá a vida.

A Missa, oração das orações, tem uma fundamentação trinitária: estabelecemos um diálogo entre nós e o Pai, feito por meio de Jesus Cristo, à luz e com a força do Espírito Santo. O Cânon é uma oração dirigida ao Pai, por meio de Cristo no Espírito Santo. E encerramos a Oração Eucarística, rendendo honra e glória a Deus Pai, por Cristo, na unidade do Espírito Santo. 

Quem revelou o mistério da Trindade foi Jesus. O Deus revelado por Ele é a Trindade, porque é amor. Ele “amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Em Jesus se confirma e se plenifica a amorosidade de Deus, revelada na Antiga Lei, que é “misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (Ex 34,6).  

A Trindade é um mistério para a nossa salvação. Por isso, primeiramente, devemos venerar “o único Deus na Trindade e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, e nem separando a substância: pois uma é a pessoa do Pai; outra, a do Filho, outra, a do Espírito Santo, mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade... Inseparáveis naquilo que são, da mesma forma o são naquilo que fazem” (CIC, 266-267).

Depois, caminhar na fé, esperança e caridade, em comunhão com o Deus Trino, pois não vivemos sem o amor do Pai que nos criou, que integra a nossa vida e dá sentido à nossa existência; sem a graça de Jesus Cristo que nos cura e nos redime de todo o mal e nos salva; sem a comunhão com o Espírito Santo que habita em cada um de nós, santifica e nos fortalece para a missão.

“Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco”, nos exorta o apóstolo Paulo. E ele mesmo deseja que a “graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo” (2 Cor 13,11.13), estejam conosco, pois quando celebramos a comunhão com a Trindade somos contagiados pelo amor sem medidas do Pai, pela solidariedade do Filho e pela unção do Espírito, e nos alimentamos para a missão.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.