Sobre a Campanha da Fraternidade

Desde 1964, a Igreja católica no Brasil oferece a Campanha da Fraternidade como um excelente e rico instrumento para nos ajudar a celebrar a Quaresma, sem interferir na riqueza litúrgica e espiritual própria deste tempo, em preparação à Páscoa do Senhor e nossa páscoa.

Os temas vão se alternando, de início mais internos à nossa experiência eclesial, ultimamente com assuntos mais complexos e difíceis, mas atuais e urgentes, tratando de diversas situações que envolvem a nossa vida. A Igreja entende que a fraternidade transcende a vida eclesial interna e que a fé deve também responder às questões da cultura, da justiça, das realidades públicas, da sociedade como um todo.

A partir do ano 2000, de cinco em cinco anos, a CF tem sido realizada de modo ecumênico, com a participação das igrejas que compõem o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil, inclusive a Igreja católica.

A CFE 2021 foi aprovada em 2019, na 57ª Assembleia Geral da CNBB. Portanto, o texto-base foi elaborado pelo CONIC.

Prováveis reações ao conteúdo do texto-base podem acontecer.  As vozes e reações contrárias devem ser acolhidas e servir como elementos de avaliação e descoberta de caminhos pastorais diante das polarizações. Mas não podemos esquecer o essencial da campanha, que são o diálogo, a fraternidade, a unidade e a paz, dons de Deus.

O objetivo geral “convida as comunidades de fé e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade” (Texto-base, 3). Como negar e se fechar a esses apelos, se Cristo é a nossa paz, e do que era dividido, Ele fez uma unidade? (Ef 2,14).

Tendo clareza, fidelidade e firmeza em sua doutrina, a Igreja católica procura manter o diálogo com as diferenças e a diversidade, a caridade na verdade e a verdade na caridade.

Jesus constituiu com os discípulos uma família, uma comunidade marcada pela amizade, pela convivência fraterna e pela comunhão. A marca dessa unidade é o amor, que deve caracterizar os seus seguidores. A comunhão na Igreja é sinal de obediência ao Senhor e sintonia com a sua vontade.

Com relação aos recursos obtidos pela Coleta da Solidariedade, no Domingo de Ramos, tanto a nível nacional, quanto diocesano, sempre são aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica.

Na Diocese de Franca, o Fundo de Solidariedade é administrado pela Cáritas, coordenada pelos diáconos permanentes. Além de custear as despesas próprias da equipe diocesana da CF, tem ajudado e muito na assistência às várias obras sociais caritativas, mantidas por paróquias, comunidade e pastorais.

“Convertei-vos e crede no Evangelho”, é o apelo que a Quaresma nos faz. A fraternidade, o diálogo, a unidade, a caridade são valores centrais na mensagem cristã. Que este tempo favorável, com a força e a graça do Espírito, nos ajude a buscar um amor que procura o bem integral de cada pessoa humana.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.