Vigília Pascal

A Vigília Pascal é a maior e a mais nobre de todas as solenidades do ano litúrgico. É um hino de louvor às maravilhas que Deus realizou em Jesus Cristo e em nosso favor. Nessa noite Deus grava em nossos corações e em nossas almas: eterna é a minha misericórdia, através:

Da Liturgia da Luz – com a bênção do fogo, a procissão do círio pascal e o canto do Exulte.

A imagem da luz é familiar na Bíblia. É a primeira coisa que Deus criou (Gn 1,3). É símbolo da vida, da salvação e esplendor da glória de Deus (Is 60,1-2). Esta imagem era aplicada à Lei, à Palavra (Sl 119,105) e à cidade de Jerusalém, de onde deveria sair o ensinamento de Deus (Ap 20,10-11.23). No futuro, “a cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus a ilumina, e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23).

Deus é luz e nele não há trevas (1 Jo 1,5). A luz faz parte de sua própria essência. Ele é nossa luz e salvação (Sl 27,1). O futuro que Deus nos oferece é Ele mesmo, presente em nosso meio, iluminando a nossa vida (Ap 22,5).

Jesus ressuscitado é a luz do mundo que ilumina a vida dos seres humanos (Jo 1,9; 3,19; 8,12; 12,35-36.46). Ele é luz enquanto comunica a vida, o amor, a verdade e a salvação.

Na Páscoa acolhemos a luz de Jesus. Os cristãos são portadores da luz de Jesus, da sua sabedoria, da sua verdade, da sua justiça (Ef 5,8). Caminhar na fé é caminhar na luz de Cristo ressuscitado.

A Liturgia da Palavra – com as várias leituras, intercaladas com salmos, orações, hino de louvor, culminando na proclamação do Evangelho, descreve a história da salvação, desde a criação até a nova criação realizada na morte e ressurreição de Jesus Cristo. É a maravilhosa história de amor de Deus, que é fiel a aliança prometida, que culmina em Jesus, Palavra do Pai.

A Palavra de Deus é um dos pilares da nossa identidade, espiritualidade e missão; é nossa força e nossa luz, por isso, “as divinas Escrituras sempre foram veneradas como o próprio Corpo do Senhor pela Igreja” (DV, 21). Ela é lugar de encontro com a pessoa de Jesus Cristo (DAp, 247). 

Liturgia batismal - com o canto da ladainha, bênção da água batismal ou para aspersão, renovação das promessas do Batismo e aspersão com a água benta. Recordamos e renovamos o nosso Batismo, na qual fomos mergulhados na vida divina.

O Batismo é “o fundamento de toda a vida cristã”, “a porta que dá acesso aos demais sacramentos”. Nesse sacramento recebemos a remissão dos pecados, “nos tornamos membros de Cristo”; “somos incorporados à Igreja” e feitos participante da missão do Senhor (CIgC, 1213). Hoje podemos recordar as palavras: “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. É bom cada um deixar-se banhar pela gratuidade de Deus, por seu amor sem explicações, pela alegria do Pai, pelo ânimo e solidariedade do Filho e pela unção do Espírito.

Liturgia eucarística - momento culminante da celebração: renovamos o mistério da imolação e glorificação de Cristo. Batizados em Cristo e ungidos por seu Espírito, entramos em comunhão total com Ele, fazendo sua a nossa vida, participando do seu ministério.

Para viver a nossa missão de batizados, a moral pascal, precisamos da luz do Senhor, da força de sua Palavra, da Eucaristia, da unção do Espírito que com sua graça nos impulsiona a caminhar na santidade de Cristo, como novas criaturas.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.