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5º Domingo da Quaresma

5º Domingo da Quaresma

No final do seu Evangelho, João diz o seguinte: “Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.

Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,30-31). O evangelista escolheu sete sinais que revelam a pessoa de Jesus e a sua relação com o Pai.

Rezamos no 5º Domingo da Quaresma a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11,1-45). É o último sinal de Jesus no Evangelho de João, antes de sua morte. A intenção da narrativa é revelar a sua pessoa como a ressurreição e a vida. Quem crê nele tem a vida. Sua ressurreição é penhor da nossa. Jesus tira-nos do túmulo do pecado, desata as faixas que nos impedem de andar e cria-nos novamente pelo Espírito.

Em três domingos seguidos, nesta Quaresma, refletimos sobre o nosso Batismo, em cada um deles, com a indicação de uma verdade. No 3º domingo, Cristo se apresentou como a fonte de água viva da qual devemos beber. O Batismo é um mergulho na vida de Deus. Domingo passado, Jesus se revelou como a luz para nos libertar do poder das trevas. No Batismo recebemos a luz de Cristo. Neste domingo, Cristo se apresenta como a ressurreição e a vida.

No Batismo, Jesus nos chamou da morte à vida, das trevas à luz. É um novo nascimento, nascer da água e do Espírito, um nascimento espiritual que somente Deus pode gerar. O nascimento novo não é uma ideia, mas uma nova ação da graça do Espírito que transforma a vida. É preciso que façamos esta experiência pessoal da sua unção, que nos dá a vida nova.

Somos constantemente seduzidos pelo pecado que tira a nossa liberdade. Como a Lázaro, Jesus exclama com voz forte a cada um de nós: “Vem para fora!” De quantas coisas precisamos ser desatados? Cada um pode fazer a sua lista: orgulho, avareza, inveja, ira, impureza, gula, preguiça, indiferença, preconceito, frieza nas relações, mentira, mediocridade, egoísmo, afeições desordenadas ...

A Quaresma e a Páscoa salientam de modo mais intenso o mistério pascal, que é atual na medida em que opera algo em nós. Esses tempos litúrgicos ajudam a celebrar a vida que Deus nos oferece em Jesus: Ele é o Senhor que nos conduz.

Ezequiel 37,12-14 narra uma de suas visões. Ele vê o povo de Israel, vencido e desanimado no exílio, como um monte de ossos secos. Deus age e faz o povo voltar à vida.

“Se Cristo está vivo em vós, embora vosso corpo esteja ferido de morte por causa do pecado, vosso espírito está cheio de vida, graças à justiça. E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos, vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós” (Rm 8,10-11).

Deixar-se guiar pelo Espírito é orientar a existência para a plenitude. O nosso coração foi feito para estar em sintonia e união com o Senhor. Quando o excluímos de nosso horizonte, excluímos o próprio horizonte.

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?” (Jo 11,25-26). Que essa afirmação e pergunta de Jesus, dirigidas a Marta, ressoem também no íntimo de cada um de nós.

Jesus sempre se comove de amor por cada um de nós, levantando-nos das quedas com o seu perdão. Tira-nos do túmulo do pecado, desata as faixas que nos impedem de andar e cria-nos novamente pelo Espírito.

É preciso deixar-se iluminar pelo Espírito de Jesus. Assim experimentamos a libertação das amarras do pecado, saímos do túmulo do medo, do desânimo e da morte. O Espírito gera a vida em nós. Quando deixamos o Espírito nos guiar, podemos também oferecer a vida aos outros.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.