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Ordenação Presbiteral Frei Marcelo

Ordenação Presbiteral Frei Marcelo

Uma vocação amadurecida à sombra do altar

Há vocações que surgem de um momento marcante e transformador. Outras, porém, florescem silenciosamente ao longo dos anos, como uma semente cultivada pela graça de Deus no coração daqueles que aprendem, pouco a pouco, a reconhecer Sua voz. O final de semana foi marcado também pela presença da família agostiniano-recoleta na Diocese de Franca. Freis, membros da fraternidade secular, jovens e leigos ligados à Ordem dos Agostinianos Recoletos reuniram-se para acompanhar a ordenação sacerdotal de Frei Marcelo Bragatto. A ocasião tornou-se um verdadeiro encontro de fé e fraternidade, evidenciando a vitalidade do carisma agostiniano e a alegria compartilhada por toda a Ordem diante de um novo sacerdote que se coloca a serviço da Igreja.

A trajetória de Frei Marcelo Bragatto é a expressão desta segunda realidade.

No último dia 6 de junho, a Paróquia e Seminário Nossa Senhora Aparecida, carinhosamente conhecida como Capelinha, em Franca (SP), viveu um momento de profunda alegria ao acolher sua Ordenação Presbiteral. O acontecimento teve um significado especial: foi no mesmo lugar onde recebeu os sacramentos da iniciação cristã que nasceu também o primeiro despertar de sua vocação.

Desde a infância, Frei Marcelo esteve intimamente ligado à vida da comunidade. Ainda menino, serviu como coroinha e encontrou, junto ao altar, os primeiros sinais do chamado de Deus. Entre celebrações, momentos de oração e o contato constante com a liturgia, foi amadurecendo uma vocação que, com o passar dos anos, encontraria seu pleno desenvolvimento na Ordem dos Agostinianos Recoletos.

A celebração foi presidida por Dom Ângelo Pignoli, bispo emérito de Quixadá, e marcou o ponto culminante de uma caminhada construída com discernimento, formação, perseverança e generosa entrega ao Senhor.

Diante de um mistério sempre maior

Na manhã seguinte à ordenação, Frei Marcelo presidiu sua primeira Santa Missa, cercado por familiares, amigos, religiosos e membros da comunidade que acompanharam de perto sua história de fé.

Durante a homilia, Frei Helton — também francano — ofereceu uma reflexão que tocou profundamente os presentes. Inspirando-se na vocação do apóstolo Mateus e no chamado de Cristo à comunhão, recordou que o seguimento de Jesus é um caminho contínuo de descoberta e amadurecimento espiritual.

Ao recordar os primeiros anos de Frei Marcelo como coroinha, destacou que, mesmo após anos de formação religiosa e sacerdotal, ninguém esgota a profundidade do mistério celebrado no altar. Diante da Eucaristia, todos permanecem discípulos, sempre convidados a contemplar com renovado encanto a presença de Cristo.

A imagem recorda uma verdade fundamental da vida cristã: a vocação não consiste em compreender plenamente os desígnios de Deus, mas em permitir que Ele conduza cada passo do caminho.

Assim como Mateus respondeu ao chamado do Mestre sem conhecer todas as consequências daquele encontro, também hoje cada vocacionado aprende, dia após dia, a confiar na ação divina que o precede e sustenta.

Chamados para servir

A ordenação sacerdotal não representa um ponto de chegada, mas o início de uma nova missão a serviço da Igreja e do povo de Deus.

Em sua exortação, Dom Angelo ressaltou que o sacerdote é chamado a tornar presente Cristo Bom Pastor no meio da comunidade, anunciando o Evangelho, celebrando os sacramentos e acompanhando os fiéis em sua caminhada de fé.

Mais do que uma honra, trata-se de uma responsabilidade que exige disponibilidade, humildade e espírito de serviço, à imagem do próprio Cristo, que veio para servir e entregar Sua vida pela salvação de todos.

Nesse contexto, uma recordação compartilhada durante a celebração trouxe um significado especial. Quando criança, Marcelo sentou-se certa vez na cadeira destinada ao celebrante e foi orientado por um religioso mais experiente. Anos depois, aquela mesma comunidade testemunhava sua presença naquele lugar, agora legitimamente ocupado para presidir a Eucaristia.

Não como sinal de conquista pessoal, mas como expressão da fidelidade de Deus, que conduz a história de cada vocação segundo Seus desígnios.

A vida de Frei Marcelo recorda que os chamados do Senhor frequentemente nascem nos ambientes mais simples da vida cotidiana: junto ao altar, no serviço generoso, na oração perseverante e na convivência da comunidade cristã.

E ensina que, diante da grandeza do mistério de Deus, todos permanecemos discípulos em constante aprendizado, guiados pela certeza de que é o próprio Senhor quem conduz os passos daqueles que respondem ao Seu chamado.