Seminarista Lucas Melo representou a Diocese de Franca em encontro nacional que refletiu sobre a preservação e a gestão dos bens culturais da Igreja.
A preservação do patrimônio cultural católico vai além do cuidado com construções antigas, obras de arte e documentos históricos. Igrejas, arquivos, memoriais e acervos também guardam a memória da fé de um povo e podem continuar sendo instrumentos de evangelização. Essa foi uma das principais reflexões do II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos, realizados de 5 a 8 de outubro, em Brasília (DF).
Com o tema “Os bens culturais da Igreja e sua gestão integrada a serviço da evangelização”, o encontro reuniu participantes para discutir os desafios da preservação, da gestão e da valorização do patrimônio cultural da Igreja. A iniciativa foi promovida pela Comissão Episcopal para a Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A Diocese de Franca esteve representada pelo seminarista Lucas Melo, que também é engenheiro civil. Para ele, um dos principais aprendizados foi compreender a urgência de unir a gestão técnica à ação evangelizadora. “O seminário deixou muito claro que o nosso patrimônio — igrejas históricas, arquivos, memoriais e acervos — não é um museu estático, mas um conjunto vivo de ‘células da Pastoral da Cultura’”, destacou.
A arte sacra como caminho de evangelização
Entre as reflexões que mais chamaram sua atenção esteve a chamada crise da imagem na sociedade contemporânea. Lucas observa que a cultura do simulacro e do kitsch favorece um consumo visual superficial e sentimentalista, distanciando as pessoas de uma experiência mais profunda com a beleza e o sagrado.
Nesse contexto, ele destaca a importância da arte sacra autêntica como resposta a essa superficialidade. “A grande reflexão que trago é que a arte sacra autêntica age como um antídoto para essa superficialidade materialista do nosso tempo”, afirmou.
Para o seminarista, preservar o patrimônio cultural católico significa também reconhecer seu valor histórico, artístico e espiritual. As obras e os espaços sagrados podem ser compreendidos como uma verdadeira “teologia em cores”, capazes de comunicar a fé e aproximar as pessoas do Mistério de Deus.
A técnica a serviço do sagrado
A formação em Engenharia Civil também contribui para a maneira como Lucas compreende os desafios da preservação. O cuidado com o patrimônio exige rigor metodológico, conservação preventiva, segurança estrutural, respeito às normas e projetos bem fundamentados para a captação de recursos.
No entanto, ele ressalta que a dimensão técnica precisa estar sempre orientada pelo sentido pastoral dessa missão. “Costumo compreender que a técnica deve estar sempre a serviço do sagrado. O olhar da engenharia me permite enxergar a necessidade incontornável do rigor metodológico. Porém, o olhar pastoral fundamenta o motivo pelo qual fazemos tudo isso”, explicou.
Essa compreensão amplia o significado da preservação: restaurar uma igreja ou cuidar de um espaço litúrgico não é apenas manter uma construção, mas proteger a memória e o testemunho de fé das gerações que vieram antes.
“Preservar um templo ou restaurar um espaço litúrgico não é apenas manter paredes em pé; é salvaguardar o testemunho de fé das gerações que nos antecederam”, ressaltou Lucas.
Patrimônio, memória e missão
Durante o encontro, também foram abordados temas relacionados ao inventário e à catalogação de bens culturais, à legislação de proteção do patrimônio, à conservação preventiva, às possibilidades de captação de recursos e ao uso de novas tecnologias. As discussões apontaram para a importância de uma atuação integrada, que una conhecimento técnico, responsabilidade institucional e missão evangelizadora.
Entre as iniciativas apresentadas esteve a articulação de uma Rede Nacional de Equipamentos e Centros Culturais Católicos (RENECC), voltada à integração e ao fortalecimento desses espaços.
A experiência reforçou, para Lucas, que a arquitetura e a arte presentes nas igrejas não são fins em si mesmas, mas caminhos que podem anunciar o Evangelho. Cuidar do patrimônio cultural católico é, portanto, preservar a história da comunidade e garantir que essa herança continue comunicando a fé e a beleza às próximas gerações.