6º Domingo da Páscoa - Ano B

Jo 13-17, conhecido como livro da glorificação de Jesus, trata de vários assuntos: volta de Jesus para o Pai, através da sua morte-ressurreição; a promessa do Espírito; a preparação dos discípulos para a missão futura; o valor da união com Deus e a prática do serviço e do amor fraterno. Os discípulos estão apreensivos, desconcertados, tristes, desolados, com medo diante das revelações de Jesus: Judas iria traí-lo (Jo 13,18.21.26-27) e Pedro negá-lo (Jo 13,38). Jesus orienta os discípulos, transmite consolo e esperança, e deixa o mandamento novo, que é a prática do amor como resposta ao vazio deixado por sua ausência. Estabelece entre ele e os discípulos um outro tipo de presença: Deus habita o coração de quem ama.

No 6º domingo da Páscoa lemos Jo 15,9-17. Depois de se apresentar como a videira verdadeira e falar da necessidade de permanecermos nele, para podermos produzir fruto, Jesus ressalta a importância do mandamento do amor.

O amor do Pai pelo Filho é a base do amor de Jesus pelos discípulos. Ele os ama com o mesmo amor divino que o Pai tem por ele. Este amor deve caracterizar os seus seguidores.

“Deu é amor”. O seu amor se manifestou no envio de Jesus, “vítima de reparação pelos nossos pecados”, para que tenhamos a vida por meio dele. Deus sempre toma a iniciativa de amar primeiro (1 Jo 4,7-10). O amor das pessoas divinas por nós gera a possibilidade de também amarmos a Deus e aos irmãos.

Amar é sentir-se amado, é acolher, guardar e observar os mandamentos. Amar é servir, é dar a vida: assim se constrói a amizade e se produz fruto que permanece. Amar é temer a Deus e praticar a justiça (At 10,35).

O amor é o remédio para a cura do medo, da ansiedade, da tristeza e das injustiças. É o mandamento maior, que transcende os demais, é a nossa vocação fundamental.

Estamos nos preparando para acolher Aquele que é chamado em nossa defesa, do qual procuramos consolação. Não encontramos consolo em coisas passageiras. Deus é o nosso sustento, só Ele basta.

Sendo consolados pelo Espírito, procuramos consolar e aliviar a aflição, confortar a tristeza, ajudar a superar o medo e dissipar a solidão de nossos irmãos e irmãs: isto é amar.

Na Eucaristia renovamos a presença do Espírito Santo em nós.

Rezemos por aquelas que por amor nos deram a vida, nossas mães.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.