Notícias desta quinta-feira da 58ª Assembleia da CNBB

 A parte da manhã (15/04) foi reservada para um momento de espiritualidade, dirigida pelo Cardeal Sean Patrick O’Malley, Arcebispo de Boston, que utilizou como texto de inspiração e meditação, Lucas 4,14-33, que narra o início das atividades públicas de Jesus.

Utilizou como imagens dois locais, dois polos, duas realidades que marcaram profundamente Jesus e os discípulos: Nazaré e Cafarnaum. Essas duas localidades têm um significado teológico, espiritual e pastoral fundamental na vida e missão de Jesus e da Igreja.

Em Nazaré, Jesus viveu por 30 anos. Ali foi o lugar de vivência familiar, de vida escondida, simples, pobre, de formação de virtudes, trabalho, tarefas cotidianas, silêncio, oração. A experiência de Nazaré deixou grandes marcas na vida de Jesus. Ali criaram raízes a sua kenosis, seu aniquilamento e serviço humilde.

Cafarnaum foi o centro do ministério público de Jesus, início da sua missão. Muitas indicações nos evangelhos citam Cafarnaum e suas redondezas como local de realização de muitas atividades, principalmente na casa de Pedro. Foi lugar de encontro, de formação dos discípulos. Hospital de campanha: muitas pessoas e doentes ficavam à porta da casa onde Jesus se hospedava. Lugar de sua predileção pelos mais pobres.

Em nossa vida cristã, em nosso ministério, devemos viver de modo harmonioso a tensão entre Nazaré e Cafarnaum. Em Nazaré aprendemos a vida simples, escondida, de silêncio e oração. Lugar de fazer crescer o nosso amor a Jesus Cristo, à Palavra de Deus, à Eucaristia, a um estilo de vida simples. Oásis de espiritualidade, sem o qual não é possível atravessar o deserto. Em Cafarnaum aprendemos a exercer as atividades pastorais, lugar de acolhida, de encontro, de cuidado, hospitalidade, serviço fraterno. Tem a ver com a pregação do Evangelho, a nossa evangelização. Lugar de formação e treinamento para o ministério.

Esta duas realidades nos inspiram na oração e celebração, na amizade profunda com Jesus e caridade fraterna. Precisamos de Nazaré e Cafarnaum: Lugares do silêncio e do serviço fraterno. Sem Nazaré podemos entrar em crise, não perceber sentido em nossos serviços pastorais, ficar centrados em nós mesmos. Em Nazaré alimentamos uma vida de fé profunda, capaz de conferir paixão ao nosso ministério. Sem Nazaré, Cafarnaum pode tornar-se frustrante. Na cruz, essa síntese se completa: amor e sintonia com Deus e amor fraterno aos irmãos.

Na segunda reflexão, o texto de referência foi Lucas 15, 1-7. Todo o capítulo 15 de Lucas, através das parábolas que Jesus conta, tem como centro a revelação da misericórdia de Deus. Ele respondeu às murmurações dos fariseus e escribas, ao se referirem de modo crítico à sua convivência com os publicanos e pecadores.

A misericórdia é o centro do Evangelho: Jesus veio como médico para os doentes, amigo dos pecadores, revelando o rosto misericordioso do Pai. Quantas passagens nos evangelhos revelam essa sua atitude pastoral de acolhida, perdão e cura! O rosto de Deus é a misericórdia. O perdão é o centro do Pai nosso. Só Deus sabe como perdoar e tornar essa experiência como algo maravilhoso.

A experiência da penitência, perdão, arrependimento e conversão é essencial na vida cristã. Sem confissão e direção espiritual não poderá haver conversão séria e vivência da vocação.

A peregrinação interior nos leva a reconhecer que somos pecadores. Essa descoberta não deve nos desesperar, pois Deus nos encontra nas brechas de nossas fraquezas. A sua misericórdia é redentora e nos liberta. A confissão é um encontro amoroso com Ele.

Para sermos bons confessores, temos que ser bons penitentes. Precisamos ser instrumentos da paz e da misericórdia de Deus. Se Ele me recebe em seu coração misericordioso, também devo exercer a paternidade da misericórdia e receber meus filhos e filhas com toda compaixão.

Encerramos a manhã com uma mensagem do Papa Francisco aos Bispos do Brasil, reunidos em Assembleia.

DOM_LEONAR  DOM_WILSON

Na parte da tarde, iniciamos com uma partilha de Dom Leonardo Steiner e Dom Wilson Tadeu Jönk, arcebispos de Manaus e Florianópolis, sobre a pandemia e sua incidência em nossa pastoral e ministério episcopal.

Dom Leonardo agradeceu os auxílios recebidos pelo Regional Norte 1, por ocasião da gravidade da pandemia. A situação crítica trouxe muita dor e sofrimento, mas também foi momento de forte comunhão, consolo, partilha e solidariedade, para atender os mais pobres. A Igreja tem muito a oferecer nessas tragédias, através da oração, celebrações e caridade fraterna.

Dom Wilson partilhou sobre o comportamento que podemos ter diante de uma situação difícil, como a pandemia. Além da reação humana normal, somos pessoas de fé, e esse prisma é fundamental para alimentar a esperança e a caridade. Quando estamos abertos ao Espírito, somos iluminados e animados por sua presença, procurando respostas de acordo com as circunstâncias.

“Considerai uma grande alegria, meus irmãos, quando tiverdes de passar por diversas provações, pois sabeis que a prova da fé produz em vós a paciência” (Tg 1,2-3).

O segundo momento do período da parte foi reservado para as reuniões no diversos Regionais da CNBB.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano. 

Nas fotos, respectivamente: Dom Leonardo Steiner e Dom Wilson Tadeu Jönk . Fonte: https://www.cnbb.org.br