11º Domingo do Tempo Comum

Evangelizar é uma palavra chave que resume toda a ação de Jesus Cristo: ele é o Messias, o Filho de Deus amado, o enviado do Pai, o servo, mensageiro e anunciador do Reino.

Jesus quis associar ao seu trabalho missionário os doze discípulos: eles foram enviados à missão. A Igreja continua a realizar esta incumbência. Evangelizar constitui, portanto, a sua vocação. Não é uma tarefa opcional, mas parte integrante da sua identidade.

Mateus 9,36-10,8 trata da missão dos doze discípulos, que brota de um sentimento de Jesus: a compaixão. Ele é o bom pastor que se compadece do rebanho, olha com ternura de coração e se preocupa com a situação: é preciso fazer alguma coisa.

O trabalho apostólico procura responder a uma necessidade: a messe é grande e os trabalhadores são poucos. Jesus conta com a colaboração dos discípulos. É o Espírito Santo que possibilita a evangelização, ela é dom de Deus.

Jesus chamou e constituiu os Doze. O número recorda as doze tribos de Israel. Todos são convocados e chamados a servir.

O conteúdo da missão: libertar as pessoas dos espíritos impuros, curar as doenças e enfermidades; ressuscitar os mortos e purificar os leprosos.

O campo da missão: as ovelhas perdidas da casa de Israel, são os primeiros destinatários. Essas ovelhas perdidas, que se encontram à margem, precisam ser congregadas.

A gratuidade caracteriza os missionários: eles devem ser desapegados, não há privilégios, poder, sucesso ou fama, mas serviço gratuito. A sobriedade caracteriza o discípulo missionário a caminho.

A iniciativa do chamado é do Senhor. A vida, segundo o Espírito, é o centro do Evangelho e da missão de Jesus. Não somos donos da messe, mas Deus. A nossa incumbência é responder com fé, confiança, generosidade, abertura e espírito de serviço: ser discípulo missionário é graça de Deus. O único válido é fazer o que ele quer e quando quer, isto é, fazer a sua vontade.

A intimidade com Jesus é o alimento para a missão: o apostolado requer oração e contemplação. Os discípulos são convocados para uma tarefa, que exige a santidade, onde a confiança é maior que as deficiências. É a comunhão com o Senhor que produz a santidade e o apostolado. Deus nos chamou a uma vocação porque nos ama e confia em nós. A prova “de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). A certeza desse amor é o motor que nos impulsiona na missão.

A missão brota de uma realidade de necessidade: daí a compaixão, a misericórdia, a caridade pastoral como atitudes fundamentais, inspiradas em Jesus, “o supremo pastor”. (1 Pd 5,4). Ninguém pode ser excluído da caridade pastoral, mas há setores que necessitam de cuidados especiais. Como os mais pobres, as famílias, as crianças, os adolescentes, os jovens, os idosos. O Documento de Aparecida fala de rostos sofredores que devem “doer em nós”, pessoas que vivem na rua, enfermos, dependentes de drogas, detidos em prisões (DAp, 407-430).

É muito importante o testemunho de vida, que fala mais que as palavras. É a santidade de vida que dá consistência e autoridade à missão, que necessita de pessoas de “boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria” (At 6,3, uma “nação santa” (Ex 19,6). O único argumento de autoridade válido é a autoridade da vida. 

Os missionários são portadores da Boa Nova do Reino, da verdade e da justiça de Jesus. Anunciar o Reino é comunicar Deus, a salvação, a paz, a alegria, a liberdade e a vida.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo de Franca.