Música, formação e espiritualidade marcam participação de representantes da Diocese de Franca em congresso internacional

Encontro reuniu cerca de mil cantores, regentes e músicos em Campinas e promoveu momentos de formação, espiritualidade e celebração sobre o serviço da música na Liturgia.

 A Diocese de Franca esteve representada no 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos, realizado em Campinas, reunindo aproximadamente mil cantores, regentes e músicos de diferentes regiões do Brasil e também de outros países. A iniciativa proporcionou momentos de formação, ensaios, celebrações e convivência, tendo como uma de suas principais referências o trabalho de Mons. Marco Frisina, reconhecido por sua atuação na música sacra e litúrgica. 

Representaram a Diocese de Franca Aline Bonato, Bruno Ignácio, Silvia Fuga, Maria Cecília, Aline Faria e o seminarista João Paulo. Para o grupo, a participação foi uma oportunidade de aprofundar a compreensão sobre a música como serviço à Palavra, à Liturgia e à comunhão da Igreja.  

Uma experiência que ultrapassou a música 

Para Aline Bonato, coordenadora diocesana dos salmistas, um dos momentos mais marcantes foram as celebrações eucarísticas. O canto de aproximadamente mil vozes, organizado em quatro vozes, ajudou os participantes a perceber de maneira concreta a dimensão espiritual da música na Liturgia. 

“As celebrações eucarísticas foram, para mim, a experiência mais profunda.” 

Segundo ela, a beleza das celebrações não estava apenas na grandiosidade do coro, mas na experiência de tantas pessoas colocarem seus dons a serviço de um mesmo Mistério. O congresso também contou com o concerto “Cristo, Nossa Esperança”, realizado pelo grande coro e orquestra. 

Música a serviço da Palavra 

A participação no congresso também ampliou a compreensão dos representantes da Diocese sobre a missão da música litúrgica. Entre os principais ensinamentos esteve a necessidade de colocar os dons musicais a serviço da Liturgia, buscando formação e aprimoramento. 

Aline destaca uma das orientações apresentadas por Mons. Frisina: a música litúrgica não deve ser pensada como exibição. O coro não está na celebração para fazer um espetáculo, mas para servir, favorecendo a participação da assembleia e ajudando a Palavra a chegar ao coração dos fiéis.  

“Voltamos, portanto, não simplesmente querendo ‘cantar músicas mais bonitas’, mas desejando estudar mais e servir melhor.” 

O ministério do salmista 

Entre os aprendizados que Aline deseja levar para a Diocese está a relação inseparável entre Palavra e música. Para ela, o salmista precisa compreender que sua missão vai muito além da capacidade vocal. 

“Não basta possuir uma bela voz. O salmista precisa conhecer aquilo que canta, compreender a Palavra, desenvolver sua técnica e cultivar uma verdadeira vida de oração”, afirma.  

A experiência reforçou ainda uma perspectiva importante para o trabalho de formação na Diocese: o músico litúrgico precisa ser formado em três dimensões inseparáveis — musical, litúrgica e espiritual. A técnica permite desenvolver os dons recebidos; a formação litúrgica ajuda a compreender aquilo que se celebra; e a formação espiritual sustenta um ministério que nasce de uma relação viva com Deus. 

Cantar é também servir 

Aline também chama atenção para a diferença entre simplesmente cantar durante uma celebração e exercer um verdadeiro ministério litúrgico. Na Liturgia, explica, a música deixa de estar centrada no cantor, em seu gosto pessoal ou em sua capacidade, e passa a estar inteiramente a serviço da ação litúrgica. 

Isso exige preparação, ensaio, estudo, escuta e disposição para escolher aquilo que a Liturgia pede, mesmo quando não corresponde às preferências pessoais. “Somos servidores, e não protagonistas”, resume. 

Formação para servir melhor 

A participação no congresso deixa, assim, um compromisso para a Diocese de Franca: transformar a experiência vivida em formação e serviço nas comunidades. 

Como coordenação, Aline, Bruno, Silvia e João Paulo desejam trabalhar para que as dimensões musical, litúrgica e espiritual estejam cada vez mais presentes na formação dos salmistas, músicos, coros e ministérios da Diocese. 

“Não queremos simplesmente formar pessoas que cantem melhor. Queremos contribuir para a formação de verdadeiros ministros da música litúrgica”, afirma Aline.  

Para ela, esse caminho passa também pelo amor: amar a Deus e a Liturgia significa desejar oferecer o melhor, o que envolve estudo, ensaio, disciplina, oração e preparação. 

“Que cada músico descubra que estudar, ensaiar, rezar e se formar também são maneiras concretas de amar a Deus e servir à Igreja.”