5º Congresso Vocacional do Brasil reforça chamado à construção de comunidades vocacionais
Encontro realizado em Aparecida reuniu cerca de mil animadores vocacionais e promoveu momentos de formação, oração, partilha e reflexão sobre a cultura vocacional.
A vocação nasce de um chamado e pede uma resposta. Para favorecer esse processo de escuta e discernimento, é necessário criar espaços onde as pessoas possam reconhecer a ação de Deus e perceber os caminhos aos quais são chamadas. Foi a partir dessa perspectiva que a Pastoral Vocacional da Diocese de Franca participou do 5º Congresso Vocacional do Brasil, realizado de 4 a 6 de setembro, em Aparecida (SP).
O encontro reuniu cerca de mil animadores vocacionais, entre leigos e leigas, padres, seminaristas, membros de institutos religiosos e seculares, representantes dos diferentes regionais que compõem a Igreja no Brasil.
A programação teve início com a Santa Missa, celebrada por Dom Jaime Cardeal Spengler, na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, seguida por momentos de formação, oração, reflexão e partilha.
Entre os participantes esteve Cíntia de Paula Amélio, coordenadora da Pastoral Vocacional Diocesana, que destaca como principal reflexão trazida do Congresso a importância de criar espaços de escuta para favorecer o discernimento vocacional.
“Vocação é um chamado que requer daquele que é chamado abrir os ouvidos, afinar os sentidos interiores para sentirmos o sopro do Espírito e uma resposta; por isso se faz importante promover tempo e espaços de escuta.”
Três painéis e diferentes dimensões da cultura vocacional
Ao longo dos três dias, o Congresso foi organizado a partir de três painéis: Caminho: Nossa História Vocacional na Vida da Comunidade; Fé: a graça que anima a vida da comunidade; e Partilha: Comunicação e Juventude a Serviço da Cultura Vocacional.
Para Cíntia, os três momentos trouxeram contribuições importantes para a reflexão sobre a animação vocacional.
O primeiro painel levou os participantes a revisitar a trajetória dos Congressos Vocacionais na perspectiva das comunidades vocacionais e apresentou o apelo para despertar a dimensão vocacional nas diversas pastorais.
O segundo abordou a fé e apresentou a liturgia como lugar vocacional, onde a comunidade escuta a Palavra, experimenta a comunhão e é enviada. A reflexão também destacou o despertar vocacional no processo de iniciação e a
importância da passagem do querigma para a mistagogia, como caminho entre iniciação, celebração e vocação.
Já o terceiro painel tratou da comunicação e da juventude a serviço da cultura vocacional, compreendendo a comunicação como lugar de encontro e discernimento. Nesse contexto, foram destacadas a prudência e a criatividade como elementos que favorecem proximidade, diálogo e abertura às vocações.
A comunidade como terreno fértil para as vocações
Um dos principais eixos do Congresso foi a compreensão da comunidade como espaço fundamental para o surgimento, a escuta e o acompanhamento das vocações.
A reflexão também apresentou o convite para que o catecumenato encontre seu lugar na Igreja e para que a assembleia litúrgica seja reconhecida como uma comunidade de vocações: pessoas que são reunidas, colocadas à escuta, alimentadas, configuradas a Cristo e, posteriormente, enviadas em missão.
Nesse sentido, a proposta é fazer das comunidades “um terreno fértil, pois é na comunidade que Deus faz suscitar vocações”, conforme destaca Cíntia.
O desafio de fortalecer a cultura vocacional
A experiência do Congresso também proporcionou um olhar para a realidade da Diocese de Franca e para os desafios de fortalecer a cultura vocacional.
Para a coordenadora, um dos principais desafios está no processo de integração da fisionomia da Igreja. Esse caminho envolve educar o olhar vocacional, manter viva a memória vocacional, desenvolver uma consciência vocacional, impulsionar a missão e reconhecer e valorizar a diversidade de vocações.
A animação vocacional, nessa perspectiva, não se limita a uma ação específica, mas está a serviço da comunidade e de cada pessoa que busca discernir seu chamado.
“A animação vocacional não se define a partir de si mesma, compreende-se pelo serviço à comunidade e à pessoa do vocacionado.”
Do encontro com Cristo à missão
Ao refletir sobre o que fica depois dos dias de encontro, formação e partilha, Cíntia destaca que toda resposta vocacional tem como ponto de partida o encontro com Jesus.
“Sem encontro com Jesus, não há resposta vocacional.”
Antes de qualquer estado de vida ou ministério, existe uma vocação fundamental recebida no Batismo: viver em Cristo e participar de sua missão. A partir dessa compreensão, os dons recebidos encontram sentido quando colocados a serviço.
A participação no 5º Congresso Vocacional do Brasil, portanto, reforça o compromisso de cultivar, nas comunidades, espaços de escuta, encontro, discernimento e acompanhamento, favorecendo uma verdadeira cultura vocacional e ajudando cada pessoa a reconhecer o chamado de Deus e colocálo a serviço da missão da Igreja.



